MP diz que Deolane pediu para dividir cela após crises de pânico e contesta argumentos por prisão domiciliar

Política

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) contestaram à Justiça os principais argumentos apresentados pela defesa de Deolane Bezerra para obter transferência para uma Sala de Estado-Maior ou prisão domiciliar. Em manifestação enviada ao Tribunal de Justiça de São Paulo, os órgãos afirmam que a própria influenciadora pediu para dividir a cela após relatar sintomas de síndrome do pânico e rebatem ponto a ponto o relatório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que apontou problemas estruturais na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista.

A OAB e a defesa da influenciadora sustentam que a unidade não atende aos requisitos exigidos para o recolhimento de advogados e tentam a transferência de Deolane. O Ministério Público, porém, pediu à Justiça que negue o habeas corpus e mantenha a influenciadora na penitenciária.

Decisão no dia próximo dia 15

O habeas corpus começou a ser julgado pela 16ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo nesta segunda-feira (6). Segundo o advogado de Deolane, Aury Lopes Jr., o julgamento virtual será concluído no próximo dia 15, quando deverá ser conhecida a decisão.

De acordo com os documentos obtidos pelo GLOBO, Deolane foi inicialmente alojada na cela de número três. Nos primeiros dias na unidade, relatou à direção do presídio que vinha apresentando quadros compatíveis com síndrome do pânico e disse temer passar mal durante a noite, período em que as portas das celas permanecem trancadas até a manhã seguinte.

Segundo a manifestação do MP e da SAP, foi a própria Deolane quem pediu autorização para dormir na cela de número dois, ocupada por outra detenta que aceitou dividir o espaço. A versão consta em termos de declaração assinados pelas três advogadas presas na unidade em condições semelhantes e também pela direção do presídio.

Dias depois, outra advogada custodiada passou a apresentar sintomas semelhantes de ansiedade. Conforme os documentos, Deolane então cedeu a ela sua antiga cela, a de número três, permitindo que as três permanecessem próximas durante a noite.

A cela cedida por Deolane possui televisão. Segundo relato da própria advogada, o aparelho ajuda a amenizar as crises de ansiedade. Para o Ministério Público e a SAP, esse arranjo demonstra que o compartilhamento das celas foi decidido entre as próprias internas para enfrentar episódios pontuais de ansiedade, e não imposto pela administração penitenciária em razão da falta de vagas individuais.

Medidas da cela questionadas

Na vistoria realizada pela OAB, a entidade descreveu celas de cerca de 3,57 metros por 1,79 metro, colchões deteriorados e lençóis com mofo. A SAP contesta essas informações e afirma que cada cela mede 2,20 metros por 3,30 metros, totalizando 7,26 metros quadrados — acima do mínimo de 6 metros quadrados previsto nas Diretrizes Básicas para Arquitetura Penal.

A secretaria afirma ainda que fornece dois laminados de espuma por cela para reforçar o conforto, que os colchões e as colchas utilizados por Deolane foram trocados recentemente e que a limpeza das celas e das roupas é realizada pelas próprias detentas, que recebem kits de higiene periodicamente.

Segundo a manifestação, o Pavilhão Especial também passou por melhorias recentes, com instalação de estantes plásticas para guardar pertences e alimentos, varais, caixas organizadoras e varões de cortina, além da transformação de duas celas desocupadas em despensas.

Outro ponto contestado diz respeito às refeições. A defesa mencionou comida fria e queijo congelado como parte das condições enfrentadas por Deolane. A SAP afirma que o episódio ocorreu durante a vistoria da OAB, realizada em 24 de junho, quando a primeira onda de frio do inverno paulista registrava temperaturas próximas de 9°C. Segundo a secretaria, as baixas temperaturas aceleraram o resfriamento dos alimentos durante o transporte até as celas. A unidade serve quatro refeições padronizadas por dia.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.