MP instaura procedimento para investigar racismo durante show de Seu Jorge em Porto Alegre

Política

O Ministério Público do Rio Grande do Sul instaurou, nesta terça-feira (18), um procedimento investigatório para apurar o caso de racismo sofrido pelo cantor Seu Jorge durante show em Porto Alegre. A apresentação do músico foi realizada na sexta-feira (14), em salão do Grêmio Náutico União (GNU).

O clube se solidarizou com o artista e disse apurar o caso. “Uma manifestação de ato de racismo é uma coisa intolerável e que nós não podemos compactuar e tolerar aqui dentro do União”, diz o presidente do GNU, Paulo José Kolberg Bing.

No MP, o caso será analisado pela Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos de Porto Alegre na área cível. O órgão apura condutas ilícitas de cunho racial e danos ocorridos durante o show.

A Promotorista deve solicitar ao Grêmio Náutico União informações, mídias e instrumentos de prova relacionados com os fatos. Na esfera criminal, o MP diz acompanhar a investigação da Polícia Civil. O órgão espera analisar e compartilhar as provas obtidas, bem como conferir a conduta dos envolvidos.

Relato

Em entrevista ao RBS Notícias, da RBS TV, Seu Jorge relatou o momento em que sofreu as ofensas racistas. As manifestações ocorreram após o músico apresentar um dos integrantes de sua equipe, o artista Pedrinho da Serrinha, de 15 anos, e falar da importância da proteção da juventude negra.

“Eu voltei para trás do palco e percebi uma manifestação. Minha reação, automaticamente, eu pedi para que a banda não voltasse para fazer o ‘bis’ porque eu entendi que o clima, a energia, a atmosfera por ali se perdeu. Então, automaticamente, também tive a prudência de agradecer as pessoas e me retirar do local”, diz.

Tanto Seu Jorge, em vídeo publicado nas redes sociais, como outras personalidades, muitas delas negras, divulgaram mensagens ressaltando a necessidade de se combater o racismo.

A delegada Andréa Mattos, responsável pela investigação policial, cobrou ação da sociedade para denunciar casos como esse.

“Existe uma responsabilidade de toda a sociedade para combater o racismo e, por esse motivo novamente, eu volto a clamar para que testemunhas nos procurem, denunciem, nos deem informações, filmagens e subsídios para que a gente consiga identificar os autores dessas ofensas”, ressalta. As informações são do g1.