MPSC denuncia mãe e padrasto após morte de menino em SC

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O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) apresentou uma denúncia formal contra a mãe e o padrasto de Moisés Falk da Silva, o menino de 4 anos que morreu em Florianópolis no dia 17 de agosto. Richard da Rosa Rodrigues, de 23 anos, e Larissa de Araújo Falk foram denunciados por homicídio duplamente qualificado.

De acordo com a 36ª Promotoria de Justiça, os agravantes para a qualificação do crime são o uso de meio cruel e o fato de a vítima ter menos de 15 anos. O órgão denuncia, com base nas investigações da Polícia Civil, o padrasto por cometer as agressões, e a mãe por omissão, pois tinha conhecimento da violência e não agiu para proteger o filho.

Richard Rodrigues permanece preso desde a data do ocorrido. Já Larissa, que chegou a ser detida em flagrante, responde ao processo em liberdade provisória por estar grávida. Com o oferecimento da denúncia pelo MPSC, o próximo passo é o recebimento pela Justiça para que o processo criminal contra o casal tenha início.

Relembre o caso Moisés

No dia 17 de agosto, Moisés chegou ao Multi Hospital, no bairro Carianos, já inconsciente. Vizinhos o teriam levado, incluindo uma enfermeira que, ao notar a ausência de respiração e pulso, iniciou manobras de reanimação, porém, sem sucesso. Após quase uma hora de tentativas da equipe médica, os médicos confirmaram o óbito.

De acordo com a equipe, o que motivou o acionamento da polícia foram os hematomas espalhados pelo corpo de Moisés. Havia marcas de agressão no rosto, abdômen e costas, com indícios de socos, mãos e até mesmo uma possível mordida. Segundo os médicos, os ferimentos não tinham uma explicação clínica para uma morte tão repentina.

Testemunhas relataram um comportamento estranho e contraditório do padrasto, Richard. Uma enfermeira o descreveu como “apático” e sem demonstrar “envolvimento emocional” com a situação. Um funcionário do hospital contou que o homem chegou a “fingir um desmaio” ao receber a notícia da morte da criança, mas se levantou rapidamente. Outra vizinha, acionada pela mãe, afirmou que Richard parecia “gelado” e, no caminho para o hospital, apenas disse que o menino “tinha comido bolacha com leite”.

Em seu depoimento à polícia, Richard Rodrigues afirmou que o enteado vinha com febres e que, naquele dia, havia perdido a consciência subitamente. Ele pediu ajuda aos vizinhos para levá-lo ao hospital.

Histórico de agressões

A mãe, Larissa de Araújo Falk, disse que havia saído de casa para trabalhar às 6h da manhã e soube pelo companheiro sobre o estado grave do filho. No entanto, o segurança do hospital relatou ter presenciado Larissa chegando desesperada e confrontando Richard com a frase: “tu vais ver se acontecer algo ruim com meu filho”.

O pai biológico da criança, que se separou de Larissa há cerca de um ano, confirmou que o filho já apresentava febres altas e manchas pelo corpo, mas nunca soube a causa. Ele disse que apenas a mãe acompanhava o tratamento.

Vizinhos revelaram ainda que a família já estava sob acompanhamento do Conselho Tutelar devido a suspeitas de maus-tratos anteriores. Diante das contradições nos depoimentos e dos claros indícios de violência, a Polícia Civil decretou a prisão de Richard e Larissa.