Palestra orienta mulheres sobre como identificar e romper o ciclo da violência em Rio das Antas

Região

Mais de 100 mulheres participaram da palestra Vozes que Protegem, realizada no Centro de Convivência de Rio das Antas, município integrante da comarca de Caçador. A atividade fez parte do evento Café que Acolhe, promovido pela Secretaria Municipal de Assistência Social dentro da programação do Agosto Lilás, nesta segunda-feira, dia 31.

A palestra foi ministrada pela juíza Nathana Campos Dias de Souza, da vara Criminal da comarca de Caçador, e reuniu mulheres entre 15 e 80 anos de idade. Logo no início do encontro, a magistrada convidou as participantes a refletirem sobre o significado do Agosto Lilás. Entre as palavras citadas surgiram coragem, liberdade, violência e acolhimento.

Ao longo da conversa, a juíza apresentou informações sobre a Lei Maria da Penha e explicou os diferentes tipos de violência contra a mulher, com destaque para o ciclo da violência doméstica. “A proposta foi ajudar as participantes a reconhecerem sinais que muitas vezes passam despercebidos ou são naturalizados dentro das relações”, observou.

Além dos aspectos legais, a magistrada compartilhou orientações práticas para situações de violência. Entre elas, a importância de confiar a alguém próximo o que está acontecendo, manter documentos pessoais próprios e dos filhos em local seguro e deixar roupas e itens essenciais na casa de uma pessoa de confiança para eventual necessidade de saída rápida do ambiente de risco.

Nathana também reforçou a necessidade de manter à disposição contatos de emergência, inclusive em formato impresso, para casos em que o aparelho celular seja danificado ou destruído pelo agressor. Outra recomendação foi que, diante de uma agressão, a vítima procure permanecer longe de locais da residência que ofereçam maior risco, como cozinha e banheiro. “Falei sobre os tipos de violência, indiquei alguns números de telefone emergenciais e também algumas dicas de como agir no momento da agressão”, relatou a magistrada.

A expectativa inicial era reunir cerca de 80 participantes. Mesmo diante das chuvas registradas na região, o público superou a previsão. “Surpreendentemente não paravam de chegar mulheres. Me chamou a atenção a diversidade etária do grupo, o que me desafiou quanto à abordagem, mas acredito que foi positivo. Elas ficaram muito atentas ao que eu falava”, destacou.

Ao final da palestra, algumas participantes procuraram a magistrada para compartilhar experiências pessoais de violência doméstica, relatar situações já enfrentadas ao longo da vida e mostrar marcas. “Várias mulheres estavam visivelmente emocionadas”, frisou.  Ao encerrar a atividade, Nathana reforçou a mensagem de acolhimento às mulheres e destacou que o Poder Judiciário está à disposição para garantir orientação, proteção e encaminhamento às vítimas de violência.

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