Piratuba: conheça dona Eva, 72 anos, três empregos e muita alegria de viver

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Piratuba – A determinação e a força de vontade dela fazem inveja a qualquer pessoa. No auge de seus 72 anos, dona Eva Ribeiro Lopes é uma daquelas mulheres que inspiram e cuja garra contagia e impressiona. Moradora de Piratuba, prestes a comemorar mais um ano de vida em fevereiro, dona Eva é aposentada, mas isso não a acomodou, pelo contrário, está em plena atividade, e o que poucos podem acreditar, em três empregos.

Casada e mãe de sete filhos, dona Eva trabalha desde pequena. A sua jornada de trabalho atual consiste em atuar em um restaurante (Dona Emília) das 7h às 14h; como cuidadora em um apartamento ao lado do restaurante cuja dona mora em Concórdia, das 14h às 17h30min; e, por fim, na choperia do restaurante a partir das 18h. Dependendo do movimento, é comum ela chegar em casa por volta da 1h do dia seguinte, sem reclamar, perder o bom humor e a gratidão por se sentir útil em um mercado de trabalho, muitas vezes, ingrato.

O marido de dona Eva, também aposentado, a incentiva. E, por mais que poucos possam acreditar, sobra tempo para os dois ficarem juntos. Dona Eva acorda diariamente por volta das 5h e, até pouco antes de sair para o trabalho, consegue saborear o inseparável chimarrão com o companheiro.

“Trabalho com amor no serviço. Gosto do que faço e detesto ficar em casa. Claro que tem as atividades de casa que, faço também, mas minha alegria é estar trabalhando fora”, comenta. Dona Eva, na infância/adolescência, morava no interior de Piratuba, na Linha Diesel. Aliou o trabalho na roça com o primeiro emprego ‘externo’ no primeiro hotel fundado no município, onde atuava nos finais de semana. Depois trabalhou como diarista e agricultora; nas termas; foi embora para Rio do Sul onde ficou por um ano em busca de nova oportunidade, mas decidiu voltar à terra natal; no restaurante do balneário; em sorveteria por 18 anos; depois passou em concurso público para a companhia hidromineral, onde conciliava o trabalho com uma escola; segurança de eventos e, por fim, se aposentou pela prefeitura.

Uma colega de dona Eva, que pediu não se identificar, descreve: “Isso para mim é incrível. Tem brasileiro que fica esperando tudo cair do céu ou que alguma bolsa o vá sustentar e ela aí, na luta”.

Com bom humor e o sorriso no rosto, dona Eva se sente realizada. “Sempre peço a Deus que me dê saúde para continuar fazendo o que faço”, disse Dona Eva em contato com a reportagem enquanto estava de ‘folga’ nesta quarta-feira e aproveitava para fazer as unhas, ladeada pela filha e pelo genro. Por fim, a guerreira Eva conclui: espera ter forças e saúde para continuar o que vem fazendo, uma grande lição de vida para a atual e as futuras gerações que podem se inspirar nesse verdadeiro exemplo de que o trabalho, quando se gosta do que faz, se torna um prazer e que é um orgulho para a família, amigos e colegas de trabalho.