Senador Dário Berger (PMDB) remeteu por escrito uma forte manifestação política contestando e criticando o vice-governador Eduardo Pinho Moreira. Disse que tinha a obrigação de fazer as seguintes reflexões:
1 – Ele (Eduardo Moreira) não fala pelo partido. Quem fala pelo PMDB é o presidente, deputado Mauro Mariani;
2 – Não é ele quem vai escolher o candidato a governador. Aliás, se fosse ele quem escolhesse, eu jamais teria sido o candidato a senador pelo PMDB. Teria sido o Edson Andrino.
3 – Ele já teve a oportunidade de ser candidato, ganhou as prévias e misteriosamente desistiu. Não teve coragem para enfrentar, optou pelo seu único e próprio interesse. Entregou o partido para ser vice.
4 – A candidatura do Eduardo é muito aguardada. É ótima só para os adversários, não para o PMDB.
5 – O PMDB não tem três candidatos. Quem tem três não tem nenhum. Nós temos apenas um candidato e ele atende pelo nome de Mauro Mariani.
6 – Quanto ao meu mandato de senador, agradeço mais uma vez ao PMDB. Menos, porém, ao PMDB do Eduardo, pois na base eleitoral dele perdi as eleições em todos os municípios. Portanto, acho que ele deve inverter a retórica e reconhecer que quem deu o mandato de senador a Dário Berger não foi o PMDB dele.
Confira entrevista com o vice-governador Eduardo Pinho Moreira:
Sua expectativa é assumir o governo em 2018?
A renúncia é sempre um ato pessoal. Vai depender do governador. Se ele renunciar a decisão de assumir é minha. É claro que a construção do futuro político-administrativo do Estado passa por estas duas decisões: a dele, de sair, e a minha de assumir. Temos um acordo, mas o tempo é que vai dizer.
Ele tem confirmado a disposição de renunciar?
Sim, tem reiterado a mim e a outras pessoas que pretende concorrer ao Senado e que vai renunciar ao cargo de governador. Tem dito e repetido isso. Mas a conversa definitiva entre nós não ocorreu, o que é normal. Não anunciaríamos a data que ele vai sair para não atrapalhar as ações de governo.
O senhor continua costurando a aliança do PMDB com o PSD e o PSDB?
Este é o caminho que deu certo em Santa Catarina. Foram quatro eleições sucessivas com o mesmo grupo político vencendo eleições diretas. Isto nunca aconteceu no Estado. Luiz Henrique e o PMDB fizeram concessões importantes ao longo desse período, inclusive nas duas eleições do Raimundo Colombo. Manter a coligação é projeto político importante.
E o cabeça de chapa?
É a única coisa que não se discute no projeto da aliança. O PMDB não vai abrir mão do candidato a governador.
Com que candidato?
O PMDB é de longe o maior partido do Estado. Vai ter candidato a governador em qualquer cenário ou hipótese. O PMDB tem vários nomes, mas eu me concentraria em três: o meu, pela condição política de 10 anos presidente do partido, vice-governador, devo assumir; o Mauro Mariani, que faz um trabalho importante como presidente do partido; e o prefeito de Joinville, Udo Döhler, que tem o perfil deste momento, bem identificado com os novos tempos. E não apenas o perfil ideal. Quem conhece a administração do prefeito Udo Döhler percebe a modernidade. É um gestor competente. Temos três candidatos. As circunstâncias políticas e administrativas é que determinar quem será o candidato.
Se o cavalo passar encilhado, o senhor monta?
Não posso me excluir. Mas luto pela unidade do PMDB. Tenho repetido isto em todas as regiões do Estado. Imagino que o nome do candidato vai surgir naturalmente em 2018.
O senhor não citou o nome do senador Dário Berger.
O PMDB já deu ao Dário um mandato de senador, que ele deve cumprir.
O presidente Michel Temer termina o mandato?
Eu tenho uma ata de reunião da executiva nacional do PMDB em 2010 me expulsando do partido. O Moreira Franco foi o relator do processo de expulsão. O segundo voto foi do Michel Temer, que pediu para ser o segundo. Seguiram-se Romero Jucá, Eduardo Cunha, Geddel Vieira Lima, Henrique Eduardo Alves. Todos eles votaram pela minha expulsão. O único que votou contra foi o deputado gaúcho Darcisio Perondi. Assim, não tenho razão em ser amigo de nenhum deles. Foi a Justiça que me garantiu dentro do PMDB.
E o futuro?
Vejo com muita dificuldade o futuro de Michel Temer e equipe. A questão crucial: quem seria o sucessor? Se tivéssemos um nome de consenso, atravessaríamos com mais rapidez. Mas acho que se o deputado Rodrigo Maia assumir o compromisso congressual com as reformas a transição seria tranquila. Michel Temer vem perdendo a pouca legitimidade que tinha. E me impressiona que os irmãos Batista estejam soltos. E livres da Justiça, sem serem processados. Isto é algo assustador. Honestamente, não sei qual o rumo para o Brasil. (Diário Catarinense)



