Uma nova disparada dos preços do barril do petróleo no mercado internacional nesta quarta-feira (28) elevou a defasagem entre os valores dos combustíveis vendidos pela Petrobras no Brasil e os praticados no exterior, ampliando a pressão por um novo reajuste nas refinarias da petroleira estatal.
O cenário ocorre em um momento em que já havia uma avaliação de que a companhia precisaria reajustar o preço do diesel em breve, uma vez que a Rússia — atualmente a principal fornecedora externa do combustível ao Brasil — decidiu restringir as exportações do produto, que vinha chegando ao país com preço mais baixo do que o praticado por outros fornecedores mais tradicionais.
Já nos cálculos da StoneX, os preços do diesel da Petrobras estariam também mais de 70 centavos de real por litro abaixo da paridade de importação, necessitando de um reajuste de cerca de 19% para se igualar ao valor internacional. A gasolina, por sua vez, estaria aproximadamente 30 centavos abaixo, necessitando de um aumento de quase 10%.
“Desta vez, acredito que o câmbio tenha ajudado a piorar a conta. O mercado está ansioso por um ajuste da Petrobras”, disse o diretor na área Petróleo, Gás e Renováveis da consultoria Stonex, Smyllei Curcio.
Desde que anunciou uma nova estratégia comercial, em maio, a Petrobras deixou de ser obrigada a seguir preços de paridade de importação, passando a considerar outras variáveis na precificação de seus produtos, com a promessa de ser a melhor opção para seus clientes e fornecedores, mas garantindo sua rentabilidade.
A empresa tem ainda segurado por mais tempo a defasagem antes de subir seus preços, em busca de evitar volatilidades. O cenário causa algumas incertezas para importadores do produto.
Procurada, a Petrobras reiterou em nota que “sua estratégia comercial tem como premissa a prática de preços competitivos e em equilíbrio com os mercados nacional e internacional, se valendo de suas melhores condições de produção e logística, ao mesmo tempo em que evita o repasse da volatilidade conjuntural das cotações internacionais e da taxa de câmbio”.
A petroleira disse ainda que o mercado brasileiro de diesel em 2023 tem apresentado crescimento quando comparado ao ano anterior e que a demanda vem sendo atendida tanto pela Petrobras quanto pelos demais produtores e importadores. A empresa também afirmou que não tem importado diesel nem gasolina da Rússia.
Sobre a anunciada restrição da Rússia — cujas vendas representaram em agosto cerca de 70% das compras externas brasileiras —, os especialistas consideram que possa já ter havido até o momento algum impacto marginal em preços, mas que não foi registrada falta de produto no Brasil em razão disso.
“O que a gente tem sentido são alguns aumentos marginais já por conta dessa notícia da escassez envolvendo a restrição na Rússia, que é o primeiro efeito, já cria uma expectativa de restrição de oferta e eleva os preços, mas restrição de produto físico, não”, afirmou Melo, da Raion.
“Não está sobrando produto, tem algumas restrições, mas nada diferente por conta da notícia envolvendo a Rússia”, diz Melo. Curcio, da StoneX, foi na mesma linha. Disse que uma notícia como essa acaba gerando especulações que podem afetar preços, mas que não foi sentida até agora uma falta dos fluxos da Rússia. (Reuters)



