Preço pago ao produtor de trigo aumenta em Santa Catarina

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Os preços pagos ao produtor de trigo tiveram alta neste ano. Isso é o que aponta o último boletim agropecuário do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa), divulgado em outubro. Em setembro, o preço médio de R$ 43,41 pago pela saca de 60kg foi 0,2% maior do que os R$ 43,33 verificados em agosto.

Em relação ao ano passado, a valorização chega a 1%. Porém, a expectativa dos analistas da Epagri/Cepa é de uma oscilação negativa nos valores para breve, já que muitos moinhos e agroindústrias realizaram compras futuras e agora estão recebendo o produto que foi comprado a preços antigos.

As estimativas da Epagri/Cepa apontam uma redução da área plantada no Estado na ordem de 7% em setembro. Isso deve diminuir a produção em cerca de 6% neste ano. O rendimento médio ainda apresenta aumento de 1%, mas poderá reduzir na medida em que a safra avança e a estiagem persistir.

Em Chapecó, a estimativa de área plantada neste ano é de 11,5 mil hectares e 31,7 mil toneladas de trigo. Em comparação ao ano passado, houve aumento de 4% no rendimento médio. Já em Xanxerê, a estimativa de área plantada é de 11,4 mil hectares e 35,4 mil toneladas de trigo. Isso representa um aumento ainda maior no rendimento médio, chegando a 6% em relação ao ano anterior.

Menos chuva, mais qualidade 

Em comparação à safra passada, a colheita de trigo começou atrasada na região Oeste de Santa Catarina. Isso porque desde junho não chove adequadamente em todo o Estado. A estiagem prolongada atingiu praticamente todo o ciclo de cultivo das lavouras de trigo.

O produtor Mario Fries, da linha São José, em Guatambu, explica que o trigo precisa de chuva do período de crescimento, isto é, nos meses de julho e agosto. Porém, na sua fase final, que ocorre nos meses de setembro e outubro, é melhor que não chova muito. “Quando chove muito na fase final, dá problema de fungo no cacho”, destaca.

Por esse motivo, o produtor afirma que em relação à produtividade, isto é, a quantidade, a safra não será muito boa. No entanto, em relação à qualidade do trigo, será uma das melhores colheitas dos últimos anos. Isso significa que o consumidor final irá receber um produto com mais propriedades nutricionais e o produtor irá receber mais pelo cereal.

Como é determinada a qualidade do trigo

Vários atributos de classificação podem determinar a qualidade industrial do trigo. Para garantir farinhas de boa qualidade, o teor de proteína deve ser acima de 12%. Em relação à classificação comercial, o peso do hectolitro (PH) tem grande importância, pois esse fator determina o rendimento da extração de farinha.

As proteínas se acumulam nos grãos no final do ciclo da cultura e, por isso, é tão importante que não haja excesso de chuva nesse período. Planejamento, variedades apropriadas e fontes de proteínas de alta eficiência são itens indispensáveis na produção de grãos de trigo de alta qualidade. (Com informações do Diário do Iguaçu)