​Presidente da ACCS faz balanço do ano de 2022 na suinocultura

Política

A Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) realizou no início deste mês de dezembro a última Assembleia Geral Ordinária de 2022. Os presidentes dos núcleos municipais e regionais da entidade estiveram em Concórdia para avaliar as ações realizadas ao longo dos últimos 12 meses, trocaram informações acerca da atividade suinícola e também traçaram metas para 2023.

Em entrevista a Rádio Rural, o presidente da ACCS, Losivânio de Lorenzi, explicou que apesar da instabilidade política e financeira do país nos últimos meses, a ACCS manteve todas as ações diárias de defesa do suinocultor e também o equilíbrio financeiro.

Já em relação a suinocultura, na visão dos produtores, conforme de Lorenzi, foi ruim por causa do custo de produção. “O problema que saímos em janeiro de R$ 7,48 para novembro ter terminado em R$ 7,99 de custo de produção. Aí a gente olha o valor do suíno que saiu de R$ 5,31 e chegou no valor de R$ 6,70, mas que nós tivemos uma média de suíno a R$ 5,87. Realmente isso mostra o quanto foi o prejuízo para os nossos produtores. Tem ainda todo o valor que o milho subiu nesse tempo todo não compensou no valor do suíno. Quando a gente faz uma média do custo de Janeiro a Novembro que foi de R$ 7,64 e o valor médio de R$ 5,87 a comercialização, vemos um prejuízo de R$ 1,77 o quilo do suíno. E aí quando a gente converte pelos 100 kg do animal realmente dá R$ 177 de prejuízo. Por isso que a suinocultura independente, muitos produtores desistiram da atividade outros ainda continuam nesse processo de paralisação da atividade, por que não acreditam mais numa mudança com relação a essa atividade”, lamenta.

Losivânio argumentou que devido a inúmeros fatores o prejuízo deve continuar e 2023 não será promissor dentro da atividade da forma como está. Ele destacou ainda a situação política como um todo no país, de instabilidade para o próximo ano, deve também complicar a atividade. “Então a gente tem que continuar enxugando mercado de suínos, diminuindo plantel para que a gente possa ter uma lucratividade ali na frente, caso contrário teremos as propriedades continuando sendo sucateadas e produtores desistindo dessa que é uma atividade importante porque está se produzindo alimentos e cuidando do meio-ambiente, por isso que teríamos que ter uma lucratividade para que pudesse ter a continuidade da produção. O produtor está ficando com dívida e não sustenta mais atividade da forma como ela está, isso tudo se deve ao crescimento desordenado que a gente sempre vinha falando em 2020 que todo mundo olhava para o mercado chinês e que o mundo inteiro cresceu pensando naquele mercado. Eles tiveram uma recuperação muito rápida na produção e agora então a gente está perdendo exportações, o mercado interno está saturado e o preço realmente não compensa. Porque a gente olha também para o lado das Indústrias ou cooperativas e vemos uma média do suíno preço base que saiu de R$ 5,31 para R$ 5,84 com a tipificação de carcaça que é mais ou menos aquilo que o pessoal está recebendo no modelo de integração e também não tem uma sustentabilidade para ter pela qualidade de vida no meio Rural que nós merecemos”, explicou.

Exportações diminuindo

Losivânio de Lorenzi falou sobre as exportações em 2022. Segundo ele, as autoridades perceberam o quanto foi impactante a diminuição da exportação para países como a China, por exemplo, onde o ano passado foi exportado 480 mil toneladas e esse ano 386 mil toneladas, deixando de exportar 46 mil toneladas para o país asiático. “Hong Kong também não foi diferente pois deixamos exportar 28 mil toneladas, já que em 2021 foram 107 mil toneladas e esse ano 79 mil toneladas. Aí a gente vê que o que salvou ainda as nossas exportações foram Filipinas, onde houve um aumento de 45 mil toneladas, Japão que saiu de 12 mil para 23 mil toneladas, Singapura 9 mil toneladas, Tailândia 20 mil toneladas, Georgia 5 mil toneladas e os demais países que pouco importam, mas a gente conseguiu aumentar 21 mil toneladas de exportação para esses países”, comentou.

Consumo de carne In Natura

O presidente da ACCS citou que o setor tem cada vez mais que ser mais firmes no mercado internacional, mas também trabalhar muito mais focado no produto carne suína In Natura, para fazer com que o consumo aumente dentro do país. “Embora estejamos vivendo um tempo difícil para o produtor, o consumo da carne suína ela teve um crescimento significativo até o ano passado, em 2021. Esse ano também não foi diferente porque tá num preço bem mais acessível ao nosso consumidor então nós acreditamos que esse ano tem o incremento de 700 a 800 gramas per capita, o que é, no contexto geral, se comparamos com países da Europa, nós estamos ainda muito a quem de ter 40, 50 kg per capita. Nesse ano a gente deve chegar, em torno, de 19 kg per capita. Temos que trabalhar ainda mais essa questão da carne suína para que o nosso consumidor possa cada vez mais experimentar o sabor e ver que ela é muito nutritiva, muito saborosa e também muito mais competitiva com relação às outras carnes e que não tem mais aquele negócio de gordura daquela questão que sempre falavam que fazia mal à saúde, hoje mostra se ao contrário. Graças aos cortes que nós temos em pequenas porções no supermercado, que o pessoal poder levar e fazer apenas uma refeição, realmente tem se destacado. Mas eu vejo que as grandes empresas têm que fazer isso também não adianta só as entidades estaduais junto com a brasileira e alguns outros frigoríficos menores, mas eu vejo que as indústrias, as grandes cooperativas têm que fazer o algo mais”, explicou.

Exportações no País

O presidente da ACCS, Losivânio de Lorenzi destacou que se deve fazer uma avaliação no país sobre o que as entidades e autoridades ligadas a suinocultura pretendem realmente em termos de exportação, já que no ano passado o país exportou 1.150.000 toneladas e havia a previsão de um aumento de 10% nas exportações para este ano e não chegará nem ao volume do que foi exportado no ano passado. “Mas não aconteceu, não vamos chegar nesse volume de exportação do ano passado e devemos atingir 1.050.000 toneladas, ou seja é mais carne sobrando dentro do nosso país. Quando a gente olha para Santa Catarina, nós exportamos no ano passado 489 mil toneladas e esse ano 507 mil toneladas. Então Santa Catarina aumentou 18 mil toneladas, enquanto o Brasil perdeu 14 mil toneladas e o que se deve esse volume maior de Santa Catarina é o diferencial que nós temos ainda quanto sanidade. Só nós podemos exportar para Estados Unidos, Japão, Filipinas, Canadá, agora abrindo o México também, que ainda não foi exportado. Mas só Santa Catarina poderá atender aquele mercado. Então a gente tem que cuidar muito da nossa sanidade, do nosso rebanho”, finalizou.