O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado pelos economistas como sendo uma prévia do PIB, registrou um forte recuo de 3,34% em maio na comparação com abril. É a maior queda já registrada neste indicador econômico desde o início da série histórica, em 2003. O resultado negativo se deve muito pela greve dos caminhoneiros, que parou o país por cerca de duas semanas no fim de maio. O recuo no índice supera, por exemplo, o verificado em dezembro de 2008, no auge da crise financeira internacional, quando o IBC-Br caiu 3,19%.
O resultado segue a tendência de queda de outros indicadores divulgados nos últimos dias pelo IBGE. A atividade industrial caiu 10,9% na mesma base de comparação, enquanto o setor de serviços recuou 3,8% e as vendas do comércio varejistas sofreram queda de 4,9%.
Na prática, explica economista e consultor da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) Paulo Guilhon, o Brasil, neste caso, paga o preço de apostar quase que exclusivamente no modal rodoviário como padrão logístico.
— A greve dos caminhoneiros mostrou como o Brasil é ineficiente no ponto de vista da distribuição de produtos. Se houvesse uma malha ferroviária que abrangesse o país, talvez o impacto econômico não fosse tão grande — afirmou Guilhon que, apesar do resultado negativo, ainda aposta em um avanço no PIB seguindo as tendências do mercado que crê num avanço entre 1,5% e 1,7% na comparação com o ano passado.
Ele, no entanto, não vê só a greve dos caminhoneiros como sendo o fator único para mostrar a queda no IBC-Br. O economista explica que o PIB será menor do que o esperado por outros dois fatores. Segundo ele, as medidas protecionistas do Estados Unidos e o cenário eleitoral certamente impactarão o PIB deste ano.
— O crescimento do PIB é sinônimo de investimento. Quanto maior for o investimento no país, consequentemente maior será o acumulo de riquezas. Em um cenário onde os EUA tem aumentado juros e praticado medidas que protegem o mercado interno, aliado a um futuro incerto no ponto de vista eleitoral e um desarranjo nas contas públicas a tendencia é economia do país não cresça tanto. Ninguém quer investir em um lugar de incertezas — explicou. (Diário Catarinense)


