Primeira sessão do ano da Câmara de Capinzal tem troca de farpas entre presidente e vice-presidente

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Capinzal – A primeira sessão do ano da Câmara de Vereadores de Capinzal foi marcada pela troca de farpas entre o presidente Gilmar Junior da Silveira (PSD) e o vice-presidente Alcidir Afonso Coronetti (PMDB). O motivo, a votação de um requerimento de autoria de Silveira solicitando a realização de sessões plenárias itinerantes no decorrer do ano.

Na justificativa, antes de colocar em votação o requerimento, Silveira destacou que atua voltado para os interesses de toda a população. “Eu sempre coloquei que aqui dentro não estou defendendo os 736 votos, mas sim a todos os capinzalenses. Esse requerimento irá contemplar a todas as comunidades de interior e também os bairros. Eu acho que é um compromisso que esta Casa tem, não sou um vereador demagogo, nem como pessoa, nunca fui, mas eu acho que nós temos que dar esse respaldo não somente em época de eleição nós estarmos presentes nos bairros e nas comunidades do nosso interior. Mas sim no decorrer mostrando trabalho, dando a cara para bater, levantando os anseios da comunidade e, posteriormente, levando ao Executivo para conseguir as melhorias”, explicou.

Em 2017 foram realizadas três sessões descentralizadas no interior do município. Colocado em votação, o requerimento foi rejeitado por seis votos. Votaram contra os vereadores Carlos Adriano Zocoli (PSDB), Kelvis Borges (PP), Alcidir Coronetti (PMDB), Rafael Tonial (PSB), Renato Markus (PR) e Valmor de Vargas (PPS). Apenas os vereadores Lucas Dorini (PMDB) e Bruno Michel Favero (SD) foram favoráveis.

Fazendo uso da tribuna, o vice-presidente Alcidir Coronetti alfinetou o colega de mesa diretora. “Nós vereadores temos opiniões diferentes. Não podemos deixar que as opiniões diferentes venham se tornar discussões. Entre os nobres vereadores, opiniões diferentes existem, e temos que respeitá-las. Inteligência, pois toda unanimidade se torna burra. Nós não podemos achar que num plenário onde temos nove vereadores, um presidente, oito partidos. Então quero dizer que muitas vezes falta diálogo, conversa e discutir melhor os assuntos, goela abaixo não vai para ninguém. O meu voto quando coloco ele em plenário, para a população não tenho medo do que vem depois. Porque o vereador que é covarde não merece voto da população. O vereador que não tem opinião não merece ser eleito”.

Coronetti deu a entender, nas entrelinhas, que não vem sendo consultado para discussão de alguns assuntos no Legislativo e cobrou mais diálogo na Casa. “Não discuto opinião ou voto, se é contra ou a favor. Discuto que se cabe um pouquinho mais de diálogo e um pouquinho mais de conversação quando se coloca em votação um projeto, alguma coisa que venha ao encontro da população. Não é porque não se faz uma sessão aqui, uma sessão lá que não se defende o povo. Se trabalha, se defende de segunda a segunda, como o vereador Kelvis falou, se busca resolver os problemas da população mesmo sendo fora do plenário, ou aqui, como vice-presidente desta Casa, muitas vezes nem sei das coisas que acontecem aqui dentro. Então eu não posso chegar e simplesmente votar a favor uma coisa que eu não fui nem citado a saber que ia em votação. Isso que eu queria deixar aqui à população, não tenho medo de crítica”, finalizou.

Silveira retrucou, também da tribuna, e lamentou que o requerimento tenha sido rejeitado. “Eu fico chateado quando se colocam palavras mal colocadas porque pela votação essa ação é extremamente prejudicial à nossa população. A gente vê aqui vereadores que fizeram uma votação expressiva no interior e se recusam a voltar ao interior fazer uma sessão onde para nós não alteraria em nada a rotina a não ser se deslocar até uma comunidade. Onze sessões, não acredito que seja bastante, onde em época eleitoral se vai 20, 30 vezes pedir um voto. Temos de repensar certas atitudes, certas palavras mal ditas aqui neste plenário, principalmente nesta tribuna. Mas vereador que diz que tem medo de ir no interior para não ser apedrejado também não merece estar sentado nessa cadeira”, encerrou.