O estado de Santa Catarina, principal produtor de maçãs do Brasil, com 48% da área plantada, solicitou ao Ministério da Agricultura a retirada da fruta da pauta de negociações do governo brasileiro com a China. No domingo (26), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve viajar ao gigante asiático, levando diversas demandas do agronegócio. Entretanto, foi diagnosticado com pneumonia leve e a missão foi cancelada.
Só que, no caso da maçã, segundo nota da Secretaria de Agricultura catarinense, um eventual acordo de importação da fruta chinesa poderia “inviabilizar a produção de maçãs em Santa Catarina”, além de trazer “altíssimos riscos sanitários” para os pomares dos estados do Sul.
“A abertura do mercado brasileiro para a maçã chinesa representa altíssimo risco socioeconômico aos nossos produtores, além de riscos fitossanitários à cultura da macieira”, confirmou a pasta.
Em relação à questão fitossanitária, a secretaria catarinense alerta que há mais de 40 doenças da maçã que não existem no Brasil e que “poderiam chegar com a importação”.
Uma delas é a traça-da-maçã (Cydia pomonella), que foi erradicada há dez anos dos pomares de Santa Catarina, garantindo ao estado o status de única região do mundo a erradicar a praga.
Segundo a Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM), na mesma nota, a C. Pomonella é considerada “o pior inseto praga da fruticultura no mundo e mantê-la fora de Santa Catarina exige um trabalho contínuo do Ministério da Agricultura, da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) e dos produtores rurais”.
Após Santa Catarina ter erradicado o inseto, conquistou a abertura de vários mercados, “pois a qualidade geral dos frutos é preservada, uma vez que não é necessário o uso de inseticidas para o controle da doença nos pomares”.
“O ingresso de pragas e doenças ausentes em nossos pomares, bem como a depreciação de preços, pode significar a inviabilização do setor e o desemprego de milhares de agricultores”, reforça a ABPM.
Na safra 2021/22, Santa Catarina produziu 572 mil toneladas de maçã, a partir de 3 mil pomares.
No valor bruto da produção de frutas no estado, a maçã contribui com 50%, ou o equivalente a R$ 570 milhões por ano.
“Se contabilizadas as cadeiras secundárias, como os serviços de armazenagem, distribuição e comercialização nos mercados e feiras, a contribuição da cadeia sobe para mais de R$ 2,5 bilhões anuais na economia catarinense”, diz a secretaria.
“Em termos de exportação, em 2022, Santa Catarina participou com 15,8% (5,8 mil toneladas) do volume brasileiro e com 14,5% do valor negociado (US$ 3,5 milhões)”. (Canal Rural)



