Peças de fina estampa, modelos coloridos que caem no gosto apurado de quem entende de moda. Os looks que chamaram atenção da garotada, conquistaram os pequenos consumidores e em pouco tempo o caixa da empresa que só existe na imaginação da criançada, registrou a entrada de dinheiro de verdade.
Só que a feira que movimentou negócios reais, só vendeu mesmo roupas e acessórios para bonecas.
É a primeira edição da Hepp de Piratuba, a Dolls Fashion Closet, que na tradução literal significa moda para armários de boneca.
Criada por um grupo de estudantes que envolve turmas do 6º e 7º ano do ensino fundamental da Escola Amélia Poletto, o minievento, alegrou o intervalo das aulas desta quarta-feira (11).
A brincadeira que gera conhecimento em conteúdos sobre sistema monetário, e percentual de lucros, surgiu por acaso em uma aula de matemática. A professora Simone C. da Silva, percebeu que em vez de prestarem atenção na explicação, algumas meninas estavam comercializando roupas de boneca. Foi aí que a professora notou que as meninas tinham inclusive um caderninho com as anotações das vendas feitas na escola.
O motivo da distração foi integrado ao conteúdo e ganhou um atelier para a confecção de novos modelos no contraturno: “O que encantou foi de os alunos em plena era digital, estarem dedicando seu tempo ao brincar, e empreender em plena infância”, afirma a professora Simone.
A expectativa agora é de que em breve os estudantes se encontrem com uma professora de alta costura, para um workshop. Outra ideia é promover um encontro entre a garotada e um grupo de avós costureiras, para relembrarem como se fazia roupas de boneca no passado.
Mas pra isso é preciso vencer o desafio de criar a consciência de cooperativa, do crescimento coletivo, onde se o trabalho manual, a profissão de artesão e a superação do mito de que “isso é coisa de menina”, observa a professora.
Segundo a direção da escola, ao longo dos próximos meses, novas feiras devem acontecer e onde isso tudo vai parar só o futuro pode mostrar. Mas se boneca Barbie, criada pela empresária Ruth Handler em 1959, seguir inspirando as jovens criadoras, o sucesso dos modelinhos tem a chance de perdurar por várias gerações.


