Programa de Lula amplia mistura de etanol na gasolina

Política

O governo federal encaminhou nesta quinta-feira (14) para o Congresso Nacional projeto de lei que cria o Programa Combustível do Futuro, com medidas para descarbonização de transportes e incentivo para o uso de combustíveis sustentáveis. A proposta começa a tramitar na Câmara dos Deputados.

Diesel Verde e combustível sustentável de aviação

A proposta também cria dois programas. Um deles é o Diesel Verde, para reduzir a dependência externa do petróleo.

O diesel verde pode ser produzido a partir de matérias-primas renováveis e com baixa emissão de carbono, o que inclui óleos vegetais e gorduras de origem animal. A ideia é criar uma participação mínima e obrigatória de diesel verde no derivado de petróleo, como ocorre com o etanol na gasolina.

Embora possa usar as mesmas matérias-primas do biodiesel, o diesel verde é produzido de maneira diferente e tem outra composição química, mais semelhante à do diesel fóssil. Dessa forma, em tese ele pode ser misturado ao derivado de petróleo em qualquer proporção e sem exigir alteração de motores.

Não é o que ocorre com o biodiesel, que já é adicionado ao diesel comum, na proporção de 12%. Esse produto não é um substituto integral do fóssil e, a partir de certo patamar, pode prejudicar os motores.

Conforme mostrou reportagem da Gazeta do Povo, a mistura pôs em pé de guerra algumas das indústrias mais poderosas do país, com segmentos ligados ao petróleo, transporte, veículos e maquinários de um lado e, de outro, o empresariado dos biocombustíveis e do agronegócio.

O outro programa é voltado para desenvolver combustível sustentável de aviação (SAF, em inglês), com aumento gradual da mistura de SAF ao querosene de aviação fóssil.

De acordo com o governo, pela nova política os operadores aéreos ficam obrigados a reduzir gradualmente as emissões de dióxido de carbono, de 1% a partir de 2027, chegando a uma redução de 10% em 2037.

“Precisamos dar incentivo para as energias renováveis e atrair os investimentos para dar competitividade aos biocombustíveis em relação aos combustíveis fósseis. Não podemos ser meros exportadores de commodities e importadores do produto já processado. Temos que investir na nossa industrialização, desenvolver a bioeconomia nacional, gerar emprego e renda”, disse o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.

As outras duas iniciativas do PL apresentado hoje definem, ainda, o marco regulatório dos combustíveis sintéticos no Brasil e outro para o exercício das atividades de captura e estocagem geológica de dióxido de carbono (CO2).