Resgate de trabalhadores em condição análoga à escravidão em Santa Catarina chama a atenção para um crime que viola os direitos humanos e a Constituição, deixando as vítimas em uma situação de insegurança.
Uma operação coordenada pela Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em conjunto com o Ministério Público do Trabalho (MPT), a Defensoria Pública da União (DPU) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF), encontrou 24 trabalhadores venezuelanos em condições degradantes de trabalho, atuando em atividades de construção em Rio do Sul (SC).
Os trabalhadores foram atraídos pela oferta de emprego com salário de até R$ 3.000,00 mensais, com moradia e alimentação fornecidos pela empresa, mas acabaram em situação análoga à escravidão.
Em outra operação, um homem de 56 anos foi resgatado em condição análoga à escravidão em uma propriedade em Saudades, no Oeste de Santa Catarina. A vítima vivia há sete anos no local e dormia em um galpão em meio a 10 cachorros, sem chuveiro, sem alimentação e realizando trabalhos sem remuneração.
Outro caso semelhante ocorreu em Cunha Porã, no Extremo-Oeste de Santa Catarina, em que um homem de 25 anos foi resgatado em uma plantação de eucaliptos na propriedade de um homem de 70 anos. O trabalhador não possuía energia elétrica, água potável, banheiro e condições de higiene pessoal adequadas.
O combate ao trabalho análogo ao de escravo ocorre desde 1995, quando foi criado o Grupo Especial de Fiscalização Móvel. Desde então, são mais de 60 mil trabalhadores resgatados dessa condição e mais de 137 milhões de reais recebidos pelos trabalhadores a título de verbas salariais e rescisórias.


