Servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) voltaram a denunciar o sucateamento e as más condições de trabalho do órgão, agora sob a gestão do ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT). Desde que deixou o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) em março de 2023, a agência enfrenta falta de recursos, perda de protagonismo e embates internos que fragilizam a atuação da inteligência nacional.
O atual diretor-geral da Abin, o delegado da Polícia Federal Luiz Fernando Corrêa, também é alvo de críticas de funcionários e parlamentares. Além de questionamentos sobre sua condução administrativa, Corrêa ainda responde a acusações relacionadas à chamada “Abin Paralela” — esquema revelado pela PF que investigava o uso indevido da agência.
Menor orçamento em 14 anos
De acordo com a União dos Profissionais de Inteligência de Estado (Intelis), o orçamento destinado à Abin é hoje o menor dos últimos 14 anos, o que compromete atividades estratégicas. A associação alertou que, diante da falta de estrutura, a agência estaria praticamente impossibilitada de agir em situações de crise, como a recente tensão diplomática com os Estados Unidos após a tentativa de interferência atribuída a Donald Trump.
Servidores ouvidos pelo portal Metrópoles chegaram a afirmar que a Abin está sem condições de “mover um dedo” em cenários que exigiriam resposta rápida do aparato de inteligência nacional.
Disputa com a PF e desgaste político
A crise interna se intensificou com a disputa aberta entre servidores da Abin e a Polícia Federal, que é acusada de tentar se apropriar de funções tradicionalmente ligadas à agência. Nos bastidores, a reclamação é que a PF, fortalecida no governo Lula, estaria ocupando espaços e deixando a Abin em segundo plano.
A situação provocou desgaste dentro e fora do Palácio do Planalto. A Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso avalia convocar Rui Costa ainda neste mês para prestar esclarecimentos.
No último dia 2 de julho, o colegiado ouviu a portas fechadas o diretor-geral Luiz Fernando Corrêa, que respondeu sobre acusações de espionagem contra o Paraguai, seu indiciamento no caso da Abin Paralela e as atuais condições da agência.
Pressão sobre Rui Costa
Durante a reunião, servidores da Abin protestaram em frente à sala da comissão exigindo não apenas a convocação de Rui Costa, mas também a saída de Corrêa do comando do órgão. Eles apresentaram reivindicações como a regulamentação da carreira e a recomposição orçamentária.
Apesar das pressões, Rui Costa tem defendido a permanência de Corrêa, o que tem ampliado o mal-estar entre a Casa Civil e a categoria.
No Congresso, cresce a avaliação de que a inteligência brasileira vive um de seus momentos mais frágeis em décadas, o que aumenta o risco de apagão estratégico justamente em plena escalada de tensões geopolíticas.





