Starlink fica mais perto de se tornar operadora de internet móvel e assusta rivais

Política

A Starlink, de Elon Musk, deu passos importantes dentro do seu plano de massificar a internet por satélites ao redor do mundo – o que causou temor entre os investidores das operadoras tradicionais, com queda das ações na bolsa.

Aqui no Brasil, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou a ampliação do espaço disponível para o tráfego do sinal da Starlink. A decisão foi preferida no acórdão 265, de sexta-feira, 9.

A agência regulatória concedeu dois blocos adicionais de 15 MHz de espectro na faixa de 2 Ghz (chamada banda S). É nessa frequência que a Starlink vai conectar satélites diretamente aos celulares, provendo internet móvel sem depender de torres de transmissão no solo. Essa tecnologia é chamada direct to device (D2D).

O D2D é a grande aposta de Musk para ganhar mercado mundo afora. O grupo já oferece internet por satélite, mas isso requer antena e roteador em cada endereço, funcionando de modo similar à banda larga fixa. Com o D2D, a Starlink poderá atender clientes de dispositivos móveis.

O sinal verde da Anatel foi importante, pois havia uma disputa pela banda S. Há alguns meses, o órgão havia liberado parte da banda S para a operadora AST Space Mobile, dos Estados Unidos, trabalhar com o D2D no Brasil.

Agora, a agência reguladora ampliou o acesso da Starlink à faixa ao reconhecer acordos com a EchoStar, grupo americano de telecomunicações, que lhe conferem prioridade no uso dessas frequências. No ano passado, a Starlink comprou a Echostar, que detinha direito de uso da banda S por aqui.

“A Starlink colocará esse espectro crítico de banda média em ação para garantir que todo brasileiro tenha acesso a banda larga móvel de alta velocidade em seus dispositivos”, celebrou a empresa de Musk, em postagem no X (antigo Twitter).

Os direitos da AST foram direcionados para outra parte da banda S, associada à Omnispace e à operadora de satélites SES, sediada em Luxemburgo. Portanto, a AST precisará buscar coordenação com a empresa para operar nessa faixa. A AST abriu seu escritório em São Paulo ano passado e está procurando firmar parcerias com operadoras locais para lançar o D2D no Brasil até o ano que vem.

Lá fora

Outra jogada de Musk mudou de forma relevante o tabuleiro das telecomunicações no Estados Unidos. A SpaceX (empresa de foguetes da qual a Starlink faz parte) comprou, na semana passada, as licenças para uso da faixa de 800 MHz da Grain Management, empresa de investimentos em infraestrutura digital. O negócio é uma preparação da Starlink para se tornar uma operadora de internet móvel nos Estados Unidos. A compra foi fechada por US$ 8 bilhões (pouco mais de R$ 40 bilhões), segundo informações do Wall Street Journal.

A faixa de 800 Mhz vai se somar à faixa de 2 Ghz para o trânsito dos sinais da nova geração de satélites da Starlink explorarem o D2D. A nova faixa permite que o sinal da internet atravesse obstáculos, como telhados e paredes, entrando em edificações como casas, escritórios e centros comerciais, por exemplo.

Essa era uma limitação para a internet móvel por satélite e uma desvantagem nítida na comparação com o serviço de operadoras tradicionais. Agora, esse gargalo foi superado. “Esse valioso ativo resolve uma das principais lacunas técnicas restantes, abrindo caminho para que o Starlink Mobile se torne uma grande operadora móvel nos EUA”, afirmou a empresa de Musk, em comunicado.

A agência regulatória de telecomunicações dos EUA (FCC, na sigla em inglês) também aprovou na mesma semana o pedido da Starlink para o lançamento de 15 mil satélites de segunda geração no espaço. O equipamento será usado para prestar serviço de internet alta velocidade diretamente a dispositivos em qualquer lugar do mundo.

A articulação da Starlink derrubou as ações de teles listadas em bolsa, com investidores receosos da chegada de uma grande competidora no mercado de internet móvel. No Brasil, as ações da Vivo caíram 5,7%, enquanto as da TIM recuaram 4,5% na sexta-feira, 9. Nos Estados Unidos, as ações das operadoras T-Mobile, AT&T e Verizon recuaram quase 10% em meio à série de anúncios dos últimos dias.

Na visão dos analistas de mercado, a Starlink poderá se tornar uma competidora direta também nos futuros leilões de frequências realizados pela Anatel no Brasil, aumentando a disputa e os custos de aquisição desses recursos. (Broadcast)

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