Brasília – O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quinta-feira (23), por 9 votos a 2, dar continuidade ao julgamento de ações que pretendem criminalizar a homofobia no país, mesmo após ter avançado nesta semana no Senado a tramitação de um projeto de lei que trata sobre o mesmo tema.
A maioria dos ministros da Suprema Corte seguiu o voto do ministro Celso de Mello, relator das ações que pretendem criminalizar a homofobia.
Dos 11 magistrados do STF, apenas o presidente do tribunal, Dias Toffoli, e o ministro Marco Aurélio Mello votaram a favor da suspensão do julgamento para dar mais tempo para o próprio Congresso Nacional legislar sobre o assunto.
O voto de Celso de Mello foi uma resposta à petição encaminhada ao Supremo pela Advocacia-Geral do Senado informando que a Casa legislativa deu andamento nesta semana a projetos de lei relacionados à criminalização da homofobia.
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira (22) um projeto que prevê punições para a discriminação ou preconceito por sexo, orientação sexual e identidade de gênero.
A proposta, que criminaliza a homofobia, promove alterações na legislação que trata dos crimes resultantes de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
Julgamento no STF
Até agora, o Supremo tem quatro votos para enquadrar a homofobia na lei do racismo, em julgamento que foi interrompido em fevereiro.
As ações estão na pauta desta quinta, e a Corte daria continuidade à análise dos pedidos quando o relator afirmou ter recebido a petição do Senado. Mesmo não havendo um pedido explícito de adiamento, Celso de Mello decidiu apresentar um voto específico sobre uma possível prorrogação.
Segundo o decano da Corte, é “inquestionável” a ausência de providências do Congresso até o momento em defesa dos direitos LGBTI. “Inexiste qualquer obstáculo que permita o julgamento por esse plenário, por não se achar descaracterizada a mora do Congresso Nacional”, disse.
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quinta-feira (23), por 9 votos a 2, dar continuidade ao julgamento de ações que pretendem criminalizar a homofobia no país, mesmo após ter avançado nesta semana no Senado a tramitação de um projeto de lei que trata sobre o mesmo tema.
A maioria dos ministros da Suprema Corte seguiu o voto do ministro Celso de Mello, relator das ações que pretendem criminalizar a homofobia.
Dos 11 magistrados do STF, apenas o presidente do tribunal, Dias Toffoli, e o ministro Marco Aurélio Mello votaram a favor da suspensão do julgamento para dar mais tempo para o próprio Congresso Nacional legislar sobre o assunto.
O voto de Celso de Mello foi uma resposta à petição encaminhada ao Supremo pela Advocacia-Geral do Senado informando que a Casa legislativa deu andamento nesta semana a projetos de lei relacionados à criminalização da homofobia.
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira (22) um projeto que prevê punições para a discriminação ou preconceito por sexo, orientação sexual e identidade de gênero.
A proposta, que criminaliza a homofobia, promove alterações na legislação que trata dos crimes resultantes de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
Celso de Mello afirmou que a omissão imputada ao Legislativo “ainda subsiste”, já que, segundo ele, ainda não há uma decisão “concretizadora” do parlamento. Para o decano do Supremo, o Congresso “se absteve até o presente momento”.
“Não obstante o esforço do Senado em instalar a discussão […] continua a existir a situação de mora legislativa caracterizada pela inércia”, declarou.
Ainda segundo o Celso de Mello, mesmo que eventualmente aprovadas as proposições, elas teriam que ser votadas pelo plenário do Senado e, posteriormente, pela Câmara. Para ele, a existência dos projetos “não é suficiente só por si para afastar a inércia legislativa quando superado de modo irrazoável qualquer prazo”.
O ministro Edson Fachin, que também relata uma ação sobre o tema, acompanhou Celso de Mello e defendeu a continuação do julgamento. Em seguida, o ministro Alexandre de Moraes também entendeu que a análise do projeto “não afasta a mora do Congresso”.
“Hoje se demonstra que o mesmo esforço na efetivação dos direitos dessa minoria, o Senado também está fazendo. Há uma convergência, cada um no exercício das suas atribuições constitucionais. Não vejo nada que afaste a possibilidade de continuidade do julgamento”, afirmou.
O ministro Luís Roberto Barroso também votou para que a Corte continuasse o julgamento, ressaltando que o processo Legislativo tem diversas variações, o que poderia atrasar a aprovação do projeto.
“Quem é atacado, discriminado, tem pressa”, disse. A ministra Rosa Weber também acompanhou o relator.
Logo depois, o ministro Luiz Fux também votou pela continuidade do julgamento, formando maioria no plenário do tribunal. Ao votar, disse que o papel de legislar é do Congresso, mas que, diante do fato de que deputados apresentaram pedido de impeachment contra ministros do Supremo que já haviam votado sobre o tema, deve prevalecer a independência do Judiciário.
“Ou o Judiciário é independente ou é subserviente. Acredito na independência”, afirmou o vice-presidente da Corte.
A ministra Cármen Lúcia foi o sétimo voto a acompanhar o relator. A ministra entendeu que a petição do Senado é apenas uma “deferência” demonstrando que os parlamentares estão atuando. Para ela, porém, isso não deve “obstar o julgamento”.
O ministro Ricardo Lewandowski disse que o país está “diante de situação emergencial, em que crimes e agressões cometidos contra esses grupos vulneráveis são superiores àqueles registrados em outros países”.
“É uma decisão que não pode mais ser protelada”, afirmou.
O ministro Gilmar Mendes também concordou com a continuidade do julgamento sobre a criminalização da homofobia, e deu o nono voto nesse sentido. Na avaliação do ministro, como o voto do relator indica que só haverá criminalização até que o Congresso edite lei, o Supremo respeita o Legislativo ao manter o julgamento.
Votos divergentes
Apenas dois dos 11 ministros votaram pela interrupção do julgamento: Marco Aurélio Mello e Dias Toffoli.
Em seu voto, Marco Aurélio defendeu que o Supremo aguarde o Congresso legislar sobre a criminalização da homofobia.
“Creio que o pano de fundo é um pano de fundo muito sensível. O momento é de deferência para com os demais poderes, não apenas ao Legislativo”, disse.
O presidente do Supremo, Dias Toffoli, também votou contra prosseguir o julgamento, pelo adiamento, mas os dois ministros ficaram vencidos. (G1)


