Suspeito de agredir jovem em Jaborá se apresenta à polícia e alega legítima defesa

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Jaborá – O suspeito das agressões que provocaram a morte de João Paulo Tomasi, 22 anos, se apresentou à polícia na tarde desta segunda-feira (17). Acompanhado de advogado, o jovem de 22 anos, morador de Jaborá, foi ouvido na delegacia da comarca de Catanduvas.

De acordo com o delegado André Cembraneli, o suspeito alegou que teria ocorrido a confusão na saída de um baile no CTG em Jaborá na madrugada de domingo (16). Ele disse que, no momento em que saía com o veículo teria sido agredido pela vítima que supostamente aplicou-lhe uma “gravata”. O rapaz relatou que teria conseguido se desvencilhar e dado um soco na vítima, que em razão desse golpe teria caído e, na sequência, no intuito de dar um chute na região abdominal acabou acertando a cabeça de Tomasi.

O suspeito alega legítima defesa. Como houve a apresentação espontânea, após o depoimento ele foi liberado. Cembranelli ressalta que nesta semana ouvirá mais testemunhas para confrontar e averiguar se a versão realmente procede.

Ontem o proprietário do veículo depôs na delegacia de Joaçaba. Ele disse que conversava com amigos do lado de fora do CTG em Jaborá onde acontecia um baile. Ao manobrar o carro teria se deparado com um casal (Tomasi e a companheira) que não teria saído, então soltou a embreagem e o carro foi um pouco para frente, porém o casal permaneceu no local. Após isso teria aberto o vidro e chamado a atenção dos dois, para que pudesse manobrar.

Na versão do depoente, Tomasi teria ido até ele e segurado seu braço, que estava para fora do vidro, momento em que falou que até sairia, mas era para ele parar de olhar para sua mulher, afirmação que o depoente disse não ser verdadeira. Neste momento o autor das agressões teria se envolvido na discussão, se aproximado e dito a Tomasi que deixasse o amigo ir embora, mas a vítima teria dado um soco no rosto do terceiro envolvido, momento em que entraram em luta corporal. O depoente disse que manobrou o carro e então não viu mais as consequências da confusão, indo para sua casa, que somente por volta das 10h30 viu a notícia da morte e ficou assustado, porém não procurou a polícia. Após prestar depoimento acabou liberado.

Pela manhã a mulher de Tomasi e outra testemunha deram uma versão diferente para o fato. Ela aponta que João Paulo Tomasi e a mulher deixavam o evento caminhando em direção ao carro quando subitamente um veículo teria cortado a frente deles, o jovem teria dito ao motorista que – apenas pedisse que eles sairiam da frente. Neste momento um dos ocupantes saiu do carro discutindo com Tomasi, num momento em que a discussão estava se encerrando o desconhecido deu um forte soco no rosto da vítima, que caiu desacordada, logo depois o agressor deu mais um chute na cabeça do jovem e um segundo ocupante do carro teria dado outro chute. Na sequencia os agressores entraram no veículo e saíram do local, não sendo mais vistos.

Tomasi chegou a ser socorrido e transportado em estado grave ao Hospital Universitário Santa Terezinha de Joaçaba, mas não resistiu. O laudo do Instituto Médico Legal ainda não foi entregue à polícia.

João Paulo Tomasi foi sepultado em Catanduvas. Ele deixa mulher e filho de 3 anos.

Na noite desta segunda-feira, a tia da vítima, Aline Fernandes de Oliveira, enviou mensagem via Facebook sobre o caso. O texto foi adaptado pela reportagem para melhor compreensão, mas sem alteração do conteúdo. Leia:

“Olá, por gentileza gostaria de saber se você pode corrigir alguns relatos sobre a briga que aconteceu em Jaborá. Primeiro sobre o horário não foi na saída do baile, tudo aconteceu por volta de 1 hora da madrugada, nós havíamos recém chegado. Eu sou tia da vítima meu sobrinho e a esposa dele haviam saído do CTG para ir até o carro, aí os agressores não sabemos se estavam saindo ou chegando de carro uma estrada, foi em torno de 1 hora e 20 minutos eu saí atrás para ver o porque eles demoravam quando cheguei me deparei com meu sobrinho caído já agonizando em estado de convulsão sendo que os agressores já haviam se evadido do local. Aí liguei para o SAMU exatamente a 1:32 quando pedi por socorro e eles me informaram que já haviam ligado e eu expliquei a situação era grave só então foi acionado, mas mesmo assim demoraram uma meia hora para chegar. Chegamos ao Hospital Santa Terezinha em torno de 2:40. Por favor só peço que corrijam a hora, pois não foi no final do evento, muito pelo contrário, nós recém tínhamos chegado. Muitos disseram que foi mais tarde só porque o boletim foi registrado mais tarde porque a polícia só foi acionada da emergência do Santa Terezinha. Desde já agradeço”.