A chamada “taxa das blusinhas”, a alíquota de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, completa um ano em vigor e já se tornou um problema para o governo. A medida, aprovada em junho de 2024 dentro do programa Mover — voltado originalmente para a indústria automotiva —, arrecada apenas um quarto do valor inicialmente previsto pela Receita Federal.
Arrecadação frustrada
A expectativa era de levantar cerca de R$ 700 milhões por mês, mas o valor efetivamente arrecadado gira em torno de R$ 175,8 milhões, número considerado decepcionante até mesmo por aliados do governo.
Impacto nos consumidores
Segundo especialistas, a taxa atingiu em cheio as famílias de baixa renda, que recorriam às compras internacionais como alternativa mais acessível em relação ao comércio nacional. Estima-se que o consumo em sites estrangeiros caiu 35% e que cerca de 14 milhões de brasileiros das classes C, D e E deixaram de comprar nesses canais.
Correios em crise
A queda nas importações também afetou diretamente os Correios, que tiveram uma perda estimada em R$ 2,2 bilhões em receita devido à redução no volume de encomendas internacionais.
O “jabuti” que virou crise
A inclusão da taxa no programa Mover ocorreu como um verdadeiro “jabuti” legislativo, já que não tinha relação direta com a proposta inicial. A manobra gerou polêmica no Congresso e, agora, um ano depois, é vista como um dos maiores pontos de desgaste do governo na área econômica.
Consequências sociais e políticas
Além da baixa arrecadação, a medida aumentou a sensação de injustiça entre os consumidores, especialmente os mais pobres, aprofundando a desigualdade social. No plano político, crescem as especulações sobre uma possível revogação da taxa, diante da pressão popular e da necessidade de buscar alternativas mais eficazes e justas para a arrecadação fiscal.


