Brasília – O governo do presidente Michel Temer anunciou nesta quinta-feira o substituto de Alexandre de Moraes para assumir o Ministério da Justiça. O deputado federal Osmar Serraglio (PMDB-PR) é o novo titular da pasta, que ficou vaga após a indicação de Moraes para o Supremo Tribunal Federal no início deste mês. Nascido em Erechim, no Rio Grande do Sul, o parlamentar é advogado e professor de direito e é considerado como próximo do grupo político do ex-deputado Eduardo Cunha. Sua escolha foi um aceno do Planalto à bancada do partido da Câmara, que se sentia subrrepresentada no Governo.
Serraglio assume a pasta em um momento considerado crítico para a Operação Lava Jato, no qual deputados, senadores e membros do Governo são acusados de tentar barrar a investigação às vésperas da divulgação da bombástica delação de 78 executivos e diretores da empreiteira Odebrecht. Soma-se a isso o fato de que no ano passado ele defendeu a punição de magistrados e procuradores por crime de abuso de autoridade, uma das medidas que desfigurou o pacote anticorrupção proposto pelo Ministério Público Federal e aprovado pela Câmara. Este ponto foi muito criticado pela força-tarefa da operação, que chegou a anunciar uma renúncia coletiva caso o texto fosse votado assim.
Caberá também a Serraglio lidar com a grave crise na Segurança Pública do país, que atinge vários Estados, mas que explodiu no Espírito Santo com a greve dos policiais militares. O Exército e a Força Nacional foram enviados para controlar a situação depois que os índices de violência aumentaram vertiginosamente. Em nota divulgada nesta quinta, a Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal afirma que Serraglio “tem como principal desafio encontrar soluções rápidas para crise de segurança pública que atinge todo o país”. Para completar o cenário, o peemedebista assume o cargo na ressaca de alguns dos maiores massacres cometidos dentro do sistema prisional brasileiro. (El País)



