Em entrevista exclusiva à Jovem Pan Joinville, a vice-governadora de Santa Catarina, Daniela Reinehr, fez duras críticas ao governador Moisés. Ela afirmou haver um distanciamento entre eles e que Moisés se afastou das ideias que propuseram nas eleições. Ainda comenta sobre a pandemia, a polêmica envolvendo os respiradores e o distanciamento do governador de Santa Catarina com o presidente Jair Bolsonaro.
Questionada sobre a possibilidade de assumir o governo, ela preferiu não responder.
Leia entrevista na íntegra:
O governo vive um dos momentos mais delicados, com os casos de coronavírus e agora dos respiradores. Como a vice governadora tem contribuído nesse processo? É verdade que há um distanciamento entre vocês?
Vivemos realmente um momento muito delicado e triste, em que todas as atenções do estado deveriam estar voltadas para o que foi o início de outras crises: tínhamos uma pandemia para administrar, e agora temos uma crise econômica, uma crise política e também uma crise ética. Isso tudo me deixa muito triste, porque realmente não foi para isso que fomos eleitos e definitivamente não foi isso que eu vim fazer aqui.
Com o passar do tempo percebi um distanciamento cada vez maior não apenas da pessoa do governador, mas principalmente o afastamento dele, das ideias e das propostas que nos elegeram e também de toda Santa Catarina. Tenho falado muito sobre isso: Os catarinenses confiaram e nos elegeram, a partir de uma proposta de uma nova forma de governar, e não posso aceitar que isso seja colocado de lado ou esquecido.
É lamentável estarmos sofrendo esse tipo de situação diante de uma pandemia, na qual todos os esforços do estado deveriam estar voltados ao bem dos catarinenses que estão aguardando por equipamentos nos hospitais. É inaceitável que isso aconteça, dificultando que estejamos preparados para prestar o serviço de saúde que poderá ser necessário em caso de agravamento das crise Covid.
Tenho me manifestado, mostrando minha opinião depois de avaliar de forma cuidadosa e criteriosa as diferentes visões a respeito da crise. É importante lembrar que o foco é a falta de equipamentos e insumos, e que isso é urgente mas sem fugir da legalidade.
Chegou a falar pessoalmente com Moisés sobre esse caso? Ou melhor, quando foi a última vez?

Eu não fui convidada para a reunião do colegiado realizada no dia 15 de março. Na quarta-feira posterior, eu soube onde estavam acontecendo as reuniões e comecei a participar delas. Com muita resistência me inseriram no grupo de Whats App do grupo gestor de crise. Acredito que houve umas três ou quatro reuniões com a presença do governador nas quais eu estive, mas nelas nada foi decidido e não foram expostos os problemas. Não saiu absolutamente nada de decisão dali. As decisões eram tomadas depois e comunicadas na live no final do dia, das quais eu nunca participei.
Mas sempre fiz chegar minhas opiniões e sempre fui muito clara no meu posicionamento. Falei com o governador diretamente, com os assessores dele e algumas vezes mandei as minhas sugestões por escrito, no intuito de realmente ajudar.
Pedi para que fosse ouvido o setor produtivo de Santa Catarina, pois é um momento de construirmos juntos as soluções e olhar para o Estado, pois não havia um olhar para o todo, a todas as necessidades que ele apresentava. E também em relação às medidas bastantes drásticas, em um momento no qual nós poderíamos ter feito um isolamento seletivo, com barreiras sanitárias nas cidades onde haviam casos confirmados. O uso de máscaras foi outra questão que defendi desde o começo e não foi considerado.
Ainda, em uma segunda-feira, por meio de um ofício eu pedi para que não fosse feito aquele contrato de iluminação cênica da ponte e o contrato de R$ 2,5 milhões com mídia. Hoje eu entendo a razão pela qual a minha participação nunca foi bem-vinda.
Outro desafio é do governo com a própria base na Alesc, tem mantido conversa com deputados que estão insatisfeitos?
Eu sempre tive o hábito de conversar com as autoridades e instituições e setores, e com a Alesc não foi diferente. Participei no ano passado de diversos eventos, sempre procurei prestigiar. Evidentemente que não consigo estar em todos, mas sempre procurei dar atenção e ouvir, tentar fazer a conversa entre a Alesc e as secretarias. Enfim, esse é um hábito que eu tenho, de conversar com todos os setores.
Além disso, tem as diferenças entre Moisés e Bolsonaro. As reuniões de Moisés na Lide, evento organizado por Dória demonstram uma proximidade com o governador paulista. Chegou a conversar com o governador sobre esses temas?
Falei sim e tentei resgatar esses posicionamentos, alinhar com a proposta pela qual fomos eleitos, juntos com Bolsonaro. Foi em vão.
Os casos de coronavírus estão aumentando no estado e parecia que o governo estava mantendo a situação sob controle, depois dessa polêmica, tudo está em xeque. Qual seu posicionamento, o estado realmente está preparado para o combate?

Não estávamos preparados e a questão é providenciar os equipamentos necessários para que esse atendimento seja feito. É sabido que a contaminação pode acontecer de qualquer forma, pois as pessoas não podem ficar isoladas por meses, dentro de suas casas, até esse vírus desaparecer. Se é que vai desaparecer.
Então, essa convivência com o vírus tem que ocorrer de uma forma preventiva, com o aumento urgente dos leitos de UTI, com isolamento seletivo de forma organizada. Existem protocolos a serem seguidos, que não foram observados, a exemplo da redistribuição imediata dos leitos leitos existentes, equipar e utilizar as alas prontas e disponíveis em nossos hospitais. Hoje, passado todo esse tempo, não temos respiradores e não estamos vendo a efetividade desse serviço. Por conta de uma visível insegurança nos contratos de compra, houve a necessidade de pedir seu cancelamento. Em decorrência da condução pelo estado, estamos aguardando a chegada até hoje.
Felizmente, ainda temos uma margem de segurança bastante tranquila em Santa Catarina, porque temos cerca de 17% dos leitos ocupados. Por isso proponho que devemos fazer campanhas de prevenção e o urgente plano de recuperação econômica e ética no nosso estado. Cuidar das pessoas é cuidar também da saúde sem negligenciar as demais necessidades do estado.
Com a saída de dois secretários e outro que ficou apenas após Moisés ter feito pedido para ficar, uma pergunta se torna inevitável: Alguns Portais já noticiaram a possibilidade de renúncia de Moisés, nesse caso você assumiria. Já pensou nessa hipótese?
(Não respondeu)





