O Brasil registrou em 2024 um total de 1,65 milhão de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos em situação de trabalho infantil, segundo a Pnad Contínua, divulgada nesta sexta-feira (18) pelo IBGE. O dado representa um aumento de 34 mil jovens em relação a 2023, crescimento de 2,1%.
Apesar da alta recente, a série histórica indica tendência de queda desde 2016: naquele ano, havia 2,1 milhões de jovens nessa condição, o equivalente a 5,2% da população dessa faixa etária. Em 2024, a proporção caiu para 4,3%, ainda assim ligeiramente acima dos 4,2% registrados em 2023.
Perfil dos jovens em situação de trabalho infantil
A maior parte dos casos se concentra entre 16 e 17 anos, com 915 mil adolescentes. Em seguida estão:
363 mil jovens entre 14 e 15 anos;
372 mil crianças de 5 a 13 anos.
Do total, 66% se declararam pretos ou pardos, enquanto 32,8% são brancos. A desigualdade de gênero também aparece: 66% são meninos e 34% meninas.
Pela lei brasileira, crianças até 13 anos não podem trabalhar. Entre 14 e 15 anos, o trabalho só é permitido na condição de jovem aprendiz, enquanto adolescentes de 16 e 17 anos já podem ter empregos formais com carteira assinada.
O IBGE classifica como trabalho infantil toda atividade considerada perigosa ou prejudicial à saúde e ao desenvolvimento mental, físico, social ou moral, além daquelas que interfiram na escolarização.
Diferenças regionais
O Nordeste lidera em números absolutos, com 547 mil crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, alta de 7,3% em relação a 2023.
Já o Sul apresentou o maior crescimento percentual: de 199 mil para 226 mil, um salto de 13,6%.
No Norte, houve queda de 12,1%, de 282 mil para 248 mil.
O Centro-Oeste registrou avanço de 7% em relação a 2016, subindo de 143 mil para 153 mil.
Impacto em famílias atendidas por programas sociais
Entre crianças e adolescentes que vivem em domicílios contemplados por programas sociais, 5,2% estavam em situação de trabalho infantil em 2024. Esse índice é 0,9 ponto percentual superior à média geral da população nessa faixa etária, mas os dados mostram uma redução gradual da desigualdade ao longo da série histórica.



