A tutora da cadela que ingeriu dezenas de pedras de crack foi colocada em liberdade provisória após audiência de custódia, realizada após sua prisão em flagrante na última sexta-feira (17), em Joinville. Ela havia sido detida pelos crimes de tráfico de drogas e maus-tratos.
Apesar da gravidade das acusações, a Justiça entendeu que a investigada poderá responder ao processo em liberdade. Na decisão, o magistrado destacou que, embora o tráfico seja um delito grave, a quantidade de droga apreendida não indicou, naquele momento, envolvimento reiterado com a atividade criminosa. Também foi considerado o fato de a mulher ser ré primária e não possuir antecedentes criminais.
Como condições para permanecer em liberdade, foram impostas medidas cautelares, entre elas o comparecimento em juízo sempre que intimada, a proibição de mudança de endereço sem autorização, a vedação de se ausentar por mais de oito dias sem informar o paradeiro, além de recolhimento domiciliar — com exceção para o trabalho — e uso de monitoramento eletrônico.
O caso ganhou repercussão após o atendimento veterinário da cadela, uma filhote de aproximadamente três meses, da raça bulldog francês, que chegou a uma clínica em estado grave, apresentando sinais intensos de intoxicação. Já no atendimento inicial, o animal expeliu parte da substância ingerida. Exames, como ultrassonografia e raio-x, confirmaram a presença de mais material no estômago.
Diante do quadro, a equipe médica realizou uma cirurgia de emergência, durante a qual foram retirados cerca de 12 gramas da droga. A estimativa é de que o total ingerido tenha chegado a 55 pedras de crack. Além da intoxicação, os profissionais também identificaram sinais de negligência, como a ausência de vacinação e vermifugação.
A situação mobilizou a Polícia Militar de Santa Catarina, que foi acionada até a clínica. Na ocasião, uma jovem assumiu a responsabilidade pelo entorpecente encontrado no organismo do animal, o que resultou em sua prisão em flagrante.
Desde então, a cadela permanece internada, sob cuidados intensivos, com evolução considerada estável e resposta positiva ao tratamento.
Em meio ao cenário inicial de risco de morte, o caso passou a ter um desfecho mais positivo. A filhote já tem um novo lar definido e deverá ser adotada assim que receber alta médica. Ela também passou por microchipagem, medida que reforça a segurança e o acompanhamento futuro.
Assim, o episódio, que começou marcado por maus-tratos e grave risco à vida do animal, caminha para um recomeço, com perspectiva de recuperação e inserção em um ambiente adequado.




