Chapecó – Depois de um mês da tragédia que vitimou a Chapecoense e chocou o mundo, já se sabe muito sobre o que aconteceu nos instantes antes do choque do Avro RJ-85 da LaMia com uma montanha nos arredores de Medellín, na Colômbia. As investigações, no entanto, continuam, e ainda há perguntas sem respostas. Além disso, as indenizações para as vítimas ainda estão sendo tratadas, e há novidades a respeito dos minutos finais do voo.
O QUE APONTAM AS INVESTIGAÇÕES
Aeronáutica Civil da Colômbia divulgou na segunda-feira o relatório preliminar sobre as causas do acidente. A transcrição das caixas-pretas, feita em Londres, serviu de base para as primeiras conclusões. O relatório final deve sair em quatro meses
O AVIÃO CAIU POR FALTA DE COMBUSTÍVEL
– Segundo a Aeronáutica Civil da Colômbia, a aeronave saiu de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, com o combustível no limite para chegar a Medellín.
– Na hora do embarque, o tanque estava cheio, mas não com quantidade reserva exigida pelas normas internacionais para voar uma hora e 45 minutos além de seu destino.
– No local do acidente, não foram encontrados vestígios de combustível nem houve explosão.
“A causa do acidente foi o fim do combustível. Até agora, temos evidencias de que nenhum fator técnico influenciou. Tudo está relacionado ao fator humano e administrativo”, Freddy Bonilla, secretário de Segurança Aérea do governo colombiano.
COMO FICAM AS INDENIZAÇÕES
O valor mínimo para indenizações por acidentes aéreos, segundo a convenção de Montreal, é R$ 520 mil por vítima. Mas o montante depende de vários fatores, como idade, salário e estimativa de vida produtiva.
A LaMia anunciou que indenizará cada vítima em US$ 165 mil (R$ 546 mil), mas o valor pode acabar definido na Justiça, que levará em conta, por exemplo, o resultado da investigação sobre as responsabilidades pelo acidente.
Advogados entendem que, se a LaMia não tiver capacidade de pagar o valor das indenizações, a obrigação poderia recair para a Chapecoense, por configurar um acidente de trabalho.
Até o momento, sabe-se que a Lamia havia contratado uma apólice de seguro de US$ 25 milhões (cerca de R$ 70 milhões). A seguradora, porém, pode se recusar a pagar o valor se for comprovada negligência do piloto.
Além das rescisões contratuais, as famílias receberão o seguro de vida contratado pela Chapecoense, equivalente a 28 vezes o salário que cada um recebia do clube, limitado ao teto de R$ 3,5 milhões.
A LaMia anunciou que indenizará cada vítima em US$ 165 mil (R$ 546 mil), mas o valor pode acabar definido na Justiça, que levará em conta, por exemplo, o resultado da investigação sobre as responsabilidades pelo acidente.
O presidente Plínio David de Nes Filho ressalta que a Chapecoense tem prestado auxílio e dado o acompanhamento necessário às famílias das vítimas. Quanto às investigações e indenizações, afirma que o clube não se manifestará.
COMO FORAM OS MINUTOS FINAIS
13 MINUTOS ANTES DO ACIDENTE
A tripulação começa a dar voltas à espera de que a aterrissagem seja autorizada.
8 MINUTOS ANTES
O copiloto solicita prioridade, o que não significa emergência. A controladora de voo lhe indica a rota mais direta, e o piloto, sem notificar a torre, começa a descer mais rápido do que devia.
6 MINUTOS ANTES DO ACIDENTE
O piloto comunica a primeira emergência por combustível, o que significaria estar usando a reserva do tanque _ que, pelo plano de voo, não existia. A torre de controle muda a rota de outros aviões para acelerar a aterrissagem.
4 MINUTOS ANTES
Um dos quatro motores já havia deixado de funcionar, e a tripulação não informou. Doze segundos depois, uma segunda turbina foi desligada e nada é relatado. Em seguida, o terceiro motor pifa.
3 MINUTOS ANTES
Nenhum motor está funcionando.
2 MINUTOS ANTES
Neste momento, o piloto declara “falha total, elétrica total, sem combustível”. Segundo a investigação, sem motores não há eletricidade e, sem combustível, tampouco funcionam as baterias de segurança que permitem acionar instrumentos como luzes de emergência.
1 MINUTO ANTES
A aeronave desce de forma rápida, abaixo da altura mínima que os radares registram, e o sinal é perdido.
ACIDENTE
Segundo a investigação, o avião estava a 230 km/h ao bater no morro. A gravação das conversas entre piloto e copiloto é encerrada um minuto antes da queda, o que, segundo a Aeronáutica Civil da Colômbia, será apurado.
(Fonte: Zero Hora)



