Valor da carne bovina brasileira desaba no mercado externo

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Apesar de embarcar praticamente a mesma quantidade de carne bovina, o Brasil tem faturado menos com as exportações do setor. Comparando os números de janeiro a agosto de 2023 com os de mesmo período no ano anterior, a queda é de 29%.

Os dados são da Associação Brasileiro de Frigoríficos. Em 2022, o faturamento de janeiro a maio fechou em US$ 8,8 bilhões — com cada tonelada vendida pelo preço médio de US$ 5,9 mil. Para o mesmo intervalo em 2023, a receita fechou em US$ 6,7 bilhões, com a tonelada valendo US$ 4,2 mil.

Um dos motivos para a queda é o aumento da produção brasileira. Contudo, outro problema afetou a demanda pelo produto nacional: um caso de mal-da-vaca-louca atípico no interior do Pará.

Suspensão das exportações de carne bovina

O gado doente estava uma fazenda em Marabá. Devido a um acordo firmado com a China, sempre que há suspeita de um caso de mal-da-vaca-louca no território brasileiro, o governo do Brasil tem de cessar as exportações para o gigante asiático. E somente os chineses podem autorizar a retomada.

Com essa medida, a intenção é evitar a disseminação dos casos clássicos da doença — transmissíveis e fatais. O animal brasileiro, entretanto, estava com uma variação atípica — que não se transmite e ocorre espontaneamente. O processo para o surgimento é comparado ao do Mal de Alzheimer em seres humanos.

A Organização Mundial de Saúde Animal deu o caso por encerrado em poucos dias. Ainda assim, demorou um mês para que o governo brasileiro convencesse os chineses a autorizarem a retomada e a China é o maior importador de carne bovina do Brasil.

Entre janeiro e agosto de 2023, faturou US$ 3,5 bilhões com as exportações de carne para China. A cifra equivale a perda de 34% sobre a receita para igual período em 2022.