Voos de balão voltam com regras mais rígidas após tragédia em SC

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Após pouco mais de uma semana da tragédia que causou a morte de oito pessoas, os voos turísticos de balão voltam a acontecer em Praia Grande, no Extremo Sul de Santa Catarina. A retomada da atividade está programada para esta terça-feira (1º), com base em um novo protocolo de segurança elaborado por representantes do setor.

As operações estavam suspensas desde o sábado (21), quando o acidente vitimou parte dos 21 ocupantes de um balão que caiu durante o passeio. Agora, com o aval das autoridades locais e a mobilização dos próprios balonistas, novas medidas foram definidas para reduzir riscos e reforçar os cuidados técnicos antes de cada voo.

Segundo Murilo Pereira Gonçalves, presidente da Associação de Pilotos de Balão de Praia Grande, o novo protocolo inclui pelo menos 25 itens obrigatórios. Entre eles estão a exigência de dois extintores por balão, checklist técnico rigoroso e a criação de uma comissão meteorológica permanente.

Essa comissão será formada por quatro a cinco pilotos experientes. O grupo ficará responsável por avaliar as condições climáticas diariamente e repassar orientações aos demais profissionais. “Eles vão se reunir antes dos voos e apresentar um panorama confiável sobre o clima previsto”, explicou Murilo.

Desde 2017, Praia Grande se consolidou como um dos principais destinos do Brasil para voos de balão. Estima-se que mais de 40 mil decolagens tenham ocorrido no período. O setor conta hoje com cerca de 30 empresas autorizadas, 70 balões em operação e movimenta entre 6 mil e 8 mil voos por ano. Aproximadamente 500 pessoas dependem diretamente dessa atividade.

Investigação segue em andamento

Enquanto o setor ajusta suas normas internas, as investigações sobre a queda do balão continuam. Na última quinta-feira (26), a Polícia Científica realizou a reconstituição do acidente, colhendo novos vestígios e detalhes técnicos a partir do relato do piloto Elves de Bem Crescêncio, único responsável pela condução do balão no momento da tragédia.

Os agentes também analisaram os equipamentos usados na aeronave e reforçaram a necessidade de exames complementares. Inicialmente previsto para ser concluído em dez dias, o laudo pericial teve o prazo suspenso por tempo indeterminado. A estimativa é de que as análises técnicas levem ao menos mais 30 dias.

Tragédia deixou oito mortos

O acidente ocorreu no início da manhã de 21 de junho. Ao todo, 21 pessoas estavam a bordo do balão. Treze delas sobreviveram. Oito não resistiram aos ferimentos causados pela queda.

A tragédia repercutiu em todo o país e levantou questionamentos sobre a fiscalização da atividade. Desde então, autoridades locais e representantes do setor uniram esforços para estabelecer critérios mais rígidos de segurança.

Com o retorno programado para esta terça-feira (1º), os voos devem ser retomados sob um novo olhar, com foco em prevenção e em um modelo de operação mais criterioso, segundo os próprios organizadores.