Zé Roberto lamenta adeus de Natália à seleção: “Um pecado”

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Quando Natália o procurou há cerca de dois meses, José Roberto Guimarães talvez já imaginasse o assunto. Ao longo de mais de uma década, o técnico da seleção brasileira fez da ponteira um de seus maiores pilares em quadra. Ao mesmo tempo, porém, viu a pupila acumular lesões que atrapalharam seu caminho. Nesta quinta-feira, Natália, de 32 anos, confirmou sua aposentadoria com a camisa do Brasil. Em entrevista ao ge, o treinador lamentou.

– Eu falei com ela há coisa de dois meses, dois meses e meio. Ela me disse que estava cansada, precisando de um tempo para se recuperar. Ela sai da seleção, vai para o clube. É um pecado. Natália é uma jogadora jovem. Hoje, as jogadoras estão mais longevas. Ela poderia ficar mais um tempo com a seleção. Mais madura. Mas ela sofreu muito com lesões.

Zé disse entender os motivos da decisão. Ainda mais em ciclo olímpico comprimido em apenas três anos. Diante do sacrifício e do histórico de lesões, Natália preferiu focar apenas na carreira em clubes. O técnico, porém, agradece o caminho que a ponteira, campeã olímpica, construiu com a seleção.

– A gente tem uma regra, hoje, na seleção. O importante é ter jogadoras que querem estar na seleção, que amem vestir a camisa da seleção. Você sabe o sacrifício que é, o tempo. Não é muito simples. Principalmente para as que são mães. Estamos com esse propósito. Para jogar na seleção brasileira não basta querer. Tem de estar de corpo em alma. É importante para que a gente tenha um ciclo legal, uma boa performance. Se ela não se sente nessa condição hoje, é melhor que fique fora. É uma jogadora que precisamos agradecer muito, todo o esforço, o sacrifício que ela fez. E pelo que ela ajudou a construir.

Mais cedo, em rápido contato com o ge, Natália confirmou a decisão. Ela afirmou que estava esperando o momento certo para confirmar a despedida.

– Só estava esperando falar alguma coisa. Eu não volto mais. É questão pessoal. Eu até brinco com todo mundo, estou ficando velha. Decidi que minha prioridade agora é focar mais no clube. Estou cansada. Quem acompanha nossa carreira há tanto tempo sabe o quanto é difícil a nossa vida. Estava meio difícil de continuar – disse a ponteira.

Prata nas Olimpíadas de Tóquio, Natália deixa a seleção aos 32 anos. Capitã da equipe no último ciclo, a ponteira precisou lidar com uma série de lesões e questões pessoais. A decisão vinha sendo cogitada desde o ano passado. No Japão, Natália já ensaiava seus últimos passos pela seleção.

A ponteira, no entanto, seguirá jogando por clubes. Atualmente, ela defende o Scandicci, da Itália, mas já tem acordo para voltar a jogar pelo Dínamo Moscou a partir da próxima temporada.

Natália surgiu como uma das maiores revelações do vôlei brasileiro. Aos 17 anos, já era titular do Osasco. Acumulou títulos também pelo Rio de Janeiro, para onde se transferiu, e ganhou sequência na seleção. Em 2011, descobriu um tumor na canela. Ficou fora das quadras por um ano e três meses e por pouco não perdeu os Jogos de Londres. À época, Zé Roberto esperou até o limite para contar com a jogadora no grupo que levaria o ouro.

Em 2013, um exame antidoping apontou a presença de 16-OH Prednisolone acima dos níveis permitidos. A substância estava em um dos três remédios que a atleta tomava para tratar uma asma. Ela foi suspensa por 60 dias por conta disso.

A ponteira conviveu com lesões durante todas as temporadas seguintes. Pouco antes dos Jogos de Tóquio, no ano passado, chegou a fraturar um dedo da mão. Mas se recuperou a tempo de ajudar na campanha que terminou com a prata em Tóquio.

De promessa a capitã da seleção, Natália esteve presente nos últimos três ciclos olímpicos. Além dos Jogos de Londres e de Tóquio, também disputou as Olimpíadas do Rio, quando a seleção caiu nas quartas de final para a China. A ponteira ainda conquistou uma prata e um bronze em Mundiais, em 2010 e 2014, respectivamente.