A alta nos preços do óleo diesel e a escassez do combustível em diversas regiões do Brasil acenderam o sinal de alerta para o agronegócio e para a economia nacional nesta segunda-feira (17). Mesmo com a suspensão da cobrança de PIS e Cofins sobre o insumo, o valor nas bombas ultrapassou a marca de R$ 7,00 em estados como o Distrito Federal, impactando diretamente o escoamento da safra e gerando temor de um novo ciclo inflacionário nos supermercados.
Impacto na produção e logística
O cenário de incerteza afeta tanto o transporte rodoviário quanto a operação das máquinas agrícolas. Em postos na entrada de Brasília, o litro do diesel chegou a ser comercializado por R$ 7,39 na manhã desta segunda-feira, com relatos de esgotamento do produto. Caminhoneiros enfrentam filas de mais de 20 horas para abastecer, enquanto produtores rurais temem que a falta do combustível interrompa a colheita da soja e o plantio do milho, atividades que demandam alto consumo diário de combustível.
Cobrança por fiscalização e cenário econômico
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) cobrou do governo federal um rigor maior na fiscalização para conter possíveis práticas de especulação. A entidade defende que as medidas de redução de impostos precisam chegar efetivamente à ponta da cadeia produtiva. Em resposta, o governo anunciou que a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) terá novos instrumentos de controle para monitorar os preços praticados.
Especialistas avaliam que o aumento do diesel gera um efeito cascata imediato. Como a maior parte do abastecimento brasileiro depende do modal rodoviário, a elevação do custo do frete é transferida para o preço final das mercadorias. Além do fator logístico, economistas apontam que a instabilidade internacional, agravada pelo prolongamento de conflitos no Oriente Médio, gera incertezas que podem inibir o Banco Central de realizar cortes mais agressivos na taxa de juros (Selic).
A expectativa do mercado financeiro é que o Comitê de Política Monetária (Copom) opte por uma redução moderada de 0,25 ponto percentual na próxima reunião, acompanhada de um comunicado cauteloso sobre a trajetória da inflação e os riscos externos. (BAND)



