O Banco Central (BC) revisou de 2% para 1,8% a projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) para 2026.
A estimativa foi divulgada nesta quinta-feira (24), por meio do Relatório de Política Monetária, publicado trimestralmente.
Segundo a autoridade monetária, permanece a expectativa de crescimento moderado da atividade econômica ao longo deste semestre.
De acordo com o BC, a revisão considera tanto os primeiros indicadores do terceiro trimestre de 2026, que apontam uma atividade econômica mais fraca do que a prevista anteriormente, quanto uma composição menos favorável do crescimento registrado no segundo trimestre.
Banco Central reduz projeção para o PIB de 2026
Sob a ótica da oferta, o Banco Central elevou a projeção para a agropecuária e reduziu as estimativas para a indústria e o setor de serviços.
A previsão para os setores menos sensíveis ao ciclo econômico passou de 2,1% para 2,4%, refletindo principalmente a expectativa de maior crescimento da agropecuária e da indústria extrativa. Já a estimativa para os setores mais sensíveis ao ciclo econômico recuou de 2% para 1,3%.
A projeção de crescimento da agropecuária foi revisada de 1,7% para 2,8%. Segundo o BC, a mudança incorpora a elevação, de 1,2% para 2%, da estimativa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para a produção anual de grãos, especialmente devido às revisões das safras de milho e algodão.
Além disso, a agropecuária registrou forte expansão no segundo trimestre, impulsionada pela safra de soja.
A projeção para a indústria foi reduzida de 2,3% para 1,5%. A revisão reflete a piora nas estimativas para a indústria de transformação e para os segmentos de eletricidade e gás, água, esgoto e gestão de resíduos, que tiveram desempenho abaixo do esperado entre abril e junho.
No caso da indústria de transformação, os primeiros indicadores do terceiro trimestre também apontam uma atividade mais contida.
Em contrapartida, a projeção para a indústria extrativa foi elevada de forma significativa, incorporando o forte desempenho observado no segundo trimestre, impulsionado pelo aumento da produção de petróleo e gás. Já a estimativa de crescimento para o setor de serviços foi revisada de 1,9% para 1,7%.
Consumo das famílias perde força, mas investimentos avançam
Sob a ótica da demanda, o Banco Central reduziu a projeção de crescimento do consumo das famílias de 2,1% para 1,2%. Por outro lado, a estimativa para a formação bruta de capital fixo — indicador que mede os investimentos da economia — foi elevada de 1,5% para 2%.
Segundo o BC, ambas as revisões refletem, em grande medida, os resultados observados no segundo trimestre.
A previsão para o crescimento das exportações foi mantida em 3%. Já a estimativa para as importações aumentou de 2% para 3,5%.
Projeção do BC fica abaixo da estimativa do governo
Na última terça-feira (22), a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda também revisou a projeção para o crescimento do PIB brasileiro em 2026. A estimativa passou de 2,3% para 2%, conforme o Boletim MacroFiscal de setembro de 2026, divulgado pelo governo federal.
Banco Central projeta crescimento ainda menor em 2027
Para 2027, o Banco Central projeta crescimento de 1,4%, com expectativa de expansão moderada tanto pelo lado da oferta quanto da demanda.
A estimativa considera a manutenção da política monetária em nível contracionista, a baixa ociosidade dos fatores de produção, o cenário externo ainda marcado por incertezas e a redução dos estímulos fiscal e creditício. Além disso, o BC espera uma contribuição mais limitada da agropecuária e da indústria extrativa.







