A Câmara de Vereadores de Capinzal deu início ao processo de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar possíveis irregularidades relacionadas à farmácia da rede pública de saúde do município. O requerimento, de autoria do vereador Kaue Oliveira (NOVO), já conta com nove assinaturas, número suficiente para sua formalização.
Conforme o Regimento Interno, a Presidência do Legislativo tem prazo de até 10 dias para instaurar a comissão, que será composta por cinco vereadores. Após a instalação, os trabalhos investigativos terão início oficialmente. O objetivo é esclarecer eventuais desvios, identificar falhas nos processos e propor medidas para aprimorar os mecanismos de controle e evitar novas ocorrências.
A movimentação ocorre na esteira de uma operação da Polícia Federal, deflagrada na manhã de 31 de março, que investiga um esquema estruturado de tráfico internacional de medicamentos controlados e drogas com atuação no Oeste catarinense.
Durante a ação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em três endereços, sendo dois em Capinzal e um em Ouro. Houve apreensão de celulares, documentos e medicamentos, além da prisão em flagrante de um suspeito.
As investigações tiveram origem em um alerta internacional do projeto GRIDS (Global Rapid Interdiction of Dangerous Substances), vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU). O sistema identificou ao menos 15 interceptações, no aeroporto de Miami (EUA), de encomendas contendo fármacos controlados — como opioides e benzodiazepínicos — enviados a partir de Santa Catarina. Também foi registrada a apreensão de cocaína ligada ao mesmo endereço investigado.
Segundo a Polícia Federal, os principais articuladores do esquema seriam um servidor público, farmacêutico, e sua esposa, responsável pelo apoio logístico. O grupo utilizava uma plataforma de vendas on-line para comercializar ilegalmente os produtos. As apurações apontam mais de 900 envios postais realizados nos últimos anos, com destinos no Brasil e em países como Estados Unidos, Canadá, Austrália e República Tcheca.
Os investigados poderão responder por tráfico internacional de drogas e associação para o tráfico.
Posicionamento da Prefeitura
Em nota oficial, a Prefeitura de Capinzal informou que não tinha conhecimento prévio da investigação, que tramita sob sigilo desde 2024. Após tomar ciência da operação, a Administração determinou o afastamento imediato do servidor envolvido, como medida preventiva.
O município destacou ainda que vem implementando medidas para aprimorar a gestão da assistência farmacêutica, como a criação de um Centro de Distribuição de Medicamentos e a divulgação da lista de itens disponíveis, com foco em transparência e controle.
A Prefeitura afirmou que está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações e reiterou o compromisso com a legalidade e a boa gestão dos recursos públicos.





