Ao completar cinco décadas de atuação em pesquisa agropecuária, a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) projeta o futuro da produção rural em Santa Catarina com foco na consolidação da agricultura digital e no avanço de soluções em biotecnologia. A estratégia busca apoiar produtores no enfrentamento de desafios como mudanças climáticas, elevação dos custos de produção e exigências ambientais.
Dados climáticos e decisões no campo
A empresa já disponibiliza um amplo conjunto de informações para apoiar a tomada de decisão no meio rural. Entre as ferramentas está o Agroconnect, sistema que integra dados de clima, recursos hídricos, solo e meio ambiente, além de alertas fitossanitários. As informações são coletadas em tempo real por uma rede com mais de 300 estações meteorológicas espalhadas pelo estado.
O monitoramento contínuo permite ajustes no manejo de plantios, irrigação e colheitas, especialmente em um cenário de maior frequência de eventos extremos, como chuvas intensas, vendavais, granizo e geadas, que impactam diretamente a renda e a segurança alimentar.
Monitoramento do frio e fruticultura
Entre os dados disponíveis, o monitoramento do frio é considerado essencial para culturas de clima temperado, como a maçã. O acúmulo de horas de frio orienta o momento adequado para a quebra química da dormência das plantas, etapa decisiva para produtividade e qualidade dos frutos. A informação contribui para maior precisão no uso de insumos e pode reduzir custos de produção.
Agricultura 4.0 e acesso às tecnologias
A agricultura digital já é realidade em grandes propriedades, com uso de sensores, robôs e drones para monitoramento e controle dos sistemas produtivos. Os benefícios incluem redução de desperdícios, menor uso de insumos e maior competitividade. O principal desafio, segundo a Epagri, é ampliar o acesso dessas tecnologias a médias e pequenas propriedades, tornando os dados mais acessíveis e aplicáveis à gestão rural.
Bioinsumos ganham espaço na produção
Outro eixo estratégico é a biotecnologia, com destaque para os bioinsumos. No Brasil, esse mercado cresce a taxas superiores à média global, e quase metade dos agricultores já utiliza algum produto de origem biológica. Os bioinsumos contribuem para reduzir o uso de fertilizantes e defensivos sintéticos, diminuir custos e atender à demanda por produções mais sustentáveis.
Na Epagri, pesquisas têm avançado na validação de produtos e no isolamento de agentes biológicos nativos de Santa Catarina, como fungos entomopatogênicos, com potencial para o manejo de pragas e estímulo ao crescimento das plantas. Parte dessas pesquisas já desperta interesse da iniciativa privada para desenvolvimento conjunto.
Reabilitação produtiva e sustentabilidade
O uso combinado de tecnologias digitais e bioinsumos fortalece programas de manejo integrado de pragas e doenças, reduz resíduos químicos e aumenta a resiliência dos sistemas produtivos. Para a Epagri, investir em ciência, tecnologia e inovação é fundamental para garantir segurança alimentar, renda no campo e um modelo de desenvolvimento mais sustentável e resiliente.




