Filho de Lula confirma viagem paga por lobista do INSS

Política

O empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha e filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, confirmou a pessoas próximas que o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, chamado de Careca do INSS, pagou suas passagens e hospedagem durante uma viagem a Portugal no fim de 2024. A revelação veio a público nesta segunda-feira (02), após reportagem do jornal O Estado de S. Paulo expor a relação no contexto das investigações sobre fraudes contra aposentados do INSS.

Lobista pagou passagens e hospedagem

Segundo relatos, Antunes comprou as passagens em classe executiva e custeou a estadia de Lulinha durante a viagem. Além disso, ele acompanhou o empresário em visitas a instalações industriais em Portugal. O objetivo principal era apresentar oportunidades de investimento, especialmente no setor de cannabis medicinal.

Ainda assim, Lulinha afirma que não firmou sociedade nem recebeu valores relacionados aos projetos apresentados. Ele também sustenta que viajou apenas para conhecer as operações e avaliar possíveis oportunidades, sem assumir compromisso empresarial.

Visita envolveu projetos empresariais em Portugal

Durante a viagem, os dois visitaram uma fábrica de cannabis medicinal e um galpão industrial na cidade de Aveiro. Antunes, que atuava como articulador de negócios, buscava parceiros e investidores para ampliar sua atuação no setor. Por isso, ele convidou Lulinha para conhecer as estruturas e discutir possibilidades futuras.

No entanto, o filho do presidente afirma que não avançou nas negociações. Segundo ele, não houve assinatura de contratos, participação societária ou qualquer formalização de parceria.

Investigação mira esquema bilionário no INSS

Antônio Carlos Camilo Antunes está preso e responde a investigação da Polícia Federal por suspeita de integrar um esquema que desviou bilhões de reais por meio de fraudes em benefícios do INSS. Os investigadores apuram o pagamento de propina e a atuação de intermediários que facilitavam descontos indevidos em aposentadorias.

Além disso, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS determinou a quebra do sigilo bancário de Lulinha. A medida busca esclarecer se houve movimentações financeiras ou vínculos comerciais entre ele e o lobista investigado.

Defesa nega ligação com irregularidades

Lulinha nega qualquer envolvimento no esquema. Ele afirma que não recebeu dinheiro, não intermediou contratos e não participou de operações ligadas ao INSS. Segundo o empresário, extratos bancários e documentos devem comprovar que não houve transações financeiras com Antunes.

Enquanto isso, a investigação continua. As autoridades analisam mensagens, registros financeiros e depoimentos para definir se houve benefício indevido ou apenas relação pessoal e empresarial sem irregularidades.