Lula com medo que Trump classifique facções criminosas brasileiras como terroristas

Política

O governo brasileiro intensificou articulações diplomáticas para evitar que facções crimino0sas do país sejam classificadas pelos Estados Unidos como Organizações Terroristas Estrangeiras, medida que, segundo avaliações internas do Itamaraty, poderia abrir brechas legais para ações unilaterais americanas no Brasil ou em países vizinhos.

O tema foi discutido em uma conversa telefônica realizada na noite de domingo (08) entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio.

Nos bastidores da diplomacia brasileira, o principal receio é que a classificação permita ao governo americano ampliar o uso de instrumentos de segurança nacional para combater organizações ligadas ao narcotráfico fora de seu território. Pela legislação dos Estados Unidos, grupos incluídos na lista de terrorismo podem sofrer sanções financeiras, bloqueio de bens e restrições migratórias, além de abrir espaço para ações coordenadas com órgãos de defesa.

Diplomatas brasileiros avaliam que, dependendo da interpretação jurídica adotada por Washington, a designação poderia justificar operações de segurança ou inteligência com alcance internacional sob o argumento de combate ao chamado “narcoterrorismo”.

A preocupação ganhou força após decisões recentes do governo do presidente Donald Trump envolvendo organizações estrangeiras. Em um episódio citado por analistas diplomáticos, forças americanas realizaram uma operação que resultou na captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, levado para julgamento em Nova York sob acusações relacionadas ao narcotráfico e terrorismo.

Diante desse cenário, o governo brasileiro busca convencer Washington de que o combate às facções criminosas deve ocorrer por meio de cooperação policial e judicial entre os países, e não por meio de classificações que possam ampliar a atuação militar ou de segurança dos Estados Unidos na região.

Durante a conversa, Vieira e Rubio também discutiram os preparativos para uma possível visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Casa Branca. O encontro com Trump ainda não tem data confirmada.