O aniversário de 67 anos de José Francisco Garcia Pessoa ganhou um significado especial nesta quarta-feira (9). Depois de mais de 50 anos de separação, ele reencontrou duas irmãs com a ajuda da Delegacia de Polícia de Pessoas Desaparecidas (DPPD), em Florianópolis.
Com uma delas, Jovelina Garcia Pessoa, de 60 anos, José não se encontrava havia mais de seis décadas. Marta Garcia Pessoa, de 57 anos, também participou do reencontro realizado justamente no dia do aniversário do irmão.
Busca começou após José passar em frente à delegacia
A procura pelos familiares começou de maneira inesperada. No dia 1º de setembro, José Francisco passava em frente à DPPD quando viu a placa da unidade e decidiu entrar para pedir ajuda.
Depois de fornecer as informações que ainda lembrava sobre a família, o caso foi encaminhado para investigação.
Segundo o delegado Abel Mantovani Bovi, titular da DPPD, a equipe realizou levantamentos nos sistemas disponíveis à Polícia Civil e conseguiu localizar os familiares em menos de dois dias.



Irmãos voltaram a conversar antes do encontro
Depois que os contatos foram repassados, os irmãos começaram a conversar por telefone. Durante quase uma semana, as ligações foram diárias até a realização do encontro presencial.
Jovelina, que mora em Balneário Camboriú, e Marta, moradora de Navegantes, viajaram até Florianópolis para abraçar o irmão.
Família de 14 irmãos se separou após morte da mãe
Natural de São José do Cerrito, José Francisco faz parte de uma família de 14 irmãos.
A separação começou ainda na adolescência. A mãe morreu em Lages poucos dias depois de dar à luz o filho mais novo, quando José tinha 13 anos. A partir daquele momento, os irmãos seguiram caminhos diferentes.
Ao longo da vida, José morou em Blumenau, Joinville, Paraná, São Paulo e Itajaí, até chegar a Florianópolis, onde conheceu a esposa, com quem está casado há 42 anos.
Mesmo depois de décadas, ele afirma que nunca deixou de pensar nos irmãos e acreditava que um dia conseguiria reencontrá-los.
Irmã acreditava que José havia morrido
Para Jovelina, a localização do irmão trouxe também alívio. Ela contou ter recebido anteriormente a informação de um tio de que José Francisco teria morrido.
Por isso, ao ser informada pela Polícia Civil de que ele estava vivo e procurando pela família, recebeu a notícia com surpresa.
Marta também guardava uma lembrança da infância. Quando recebeu o contato sobre o irmão, perguntou sobre os dedos dele. José havia perdido a ponta de dois dedos em um acidente de trabalho quando era jovem, característica que permaneceu na memória dela durante décadas.
Reencontro aconteceu justamente no aniversário
O encontro ocorreu oito dias depois de José Francisco entrar pela primeira vez na delegacia, justamente quando completava 67 anos.
A data também foi especial para Adriana Ventura Silva, auxiliar administrativa que fez o primeiro atendimento. Ela completou 57 anos nesta quarta-feira, além de celebrar 11 anos de trabalho na unidade e o aniversário de casamento.
Para José Francisco, o reencontro abriu a possibilidade de reconstruir laços interrompidos há décadas e recuperar o contato com integrantes da família.








