Na noite desta quinta-feira (16), professores da rede pública municipal de Joaçaba reuniram-se com vereadores com o objetivo de buscar, em conjunto com o Legislativo, soluções para a situação enfrentada pela categoria. A Secretaria Municipal de Educação havia encaminhado, no dia anterior, ofício informando a impossibilidade de realizar a atualização salarial dos docentes, posicionamento interpretado pela categoria como ausência de reconhecimento da legitimidade das reivindicações, especialmente por não ter havido solicitação prévia formal por parte dos professores.
Atualmente, os professores da rede municipal apresentam a segunda pior remuneração entre os municípios da AMMOC, não atingindo sequer o piso salarial vigente. A última atualização relevante ocorreu em 2022, quando houve adequação ao valor estipulado pelo Ministério da Educação. O vencimento base atual é de R$ 3.606,83, acrescido de uma “complementação de piso” para alcançar o valor de R$ 3.845,63, correspondente ao piso nacional daquele ano. Entretanto, o piso salarial vigente para os profissionais da educação é de R$ 5.130,63.
A defasagem salarial é apontada como fator que impacta diretamente a qualidade do ensino, sobretudo na Educação Especial. Há registros de ausência de professores especializados, com alunos sendo atendidos por profissionais de outras áreas ou estagiários do ensino médio. A carência não decorre da inexistência de profissionais qualificados, mas da migração destes para a rede estadual ou municípios vizinhos, onde há melhor remuneração e garantia de direitos como a Hora-Atividade.
Observa-se, ainda, o aumento no número de exonerações de professores efetivos nos últimos anos, motivadas pela desvalorização salarial, estimada em 33,4% em relação ao piso de 2026. A alta rotatividade compromete a continuidade pedagógica, prejudicando o processo de ensino-aprendizagem e impactando negativamente os resultados em avaliações externas e indicadores educacionais.
Diante desse cenário, foram levantados questionamentos públicos à administração municipal sobre as razões da situação atual, considerando promessas reiteradas ao longo dos últimos quatro anos. Entre elas, destacam-se compromissos assumidos no início do ano letivo de 2025 e declarações de que a melhoria nos índices educacionais resultaria em reajuste salarial. Apesar dos esforços da categoria, não houve concretização das medidas anunciadas.
Também foram mencionados gastos com capacitações, assessorias e aquisição de materiais considerados de baixa qualidade, em contraste com a ausência de valorização salarial. Durante a reunião, vereadores teriam indicado que a área da educação dispõe de orçamento próprio e que, diferentemente do informado em ofício da Secretaria de Educação, há possibilidade de revisão orçamentária para viabilizar a recomposição salarial. Avalia-se que, com ajustes na gestão dos recursos, seria possível atender às demandas da categoria, que contribui para manter o IDEB de Joaçaba acima das médias estadual e nacional.




