Santa Catarina revela sangue raríssimo que só 11 pessoas têm no Brasil

Plantão

Para a maioria das pessoas, receber uma transfusão compatível é um procedimento simples. Mas quem possui sangue raríssimo enfrenta uma realidade diferente: o tempo e a disponibilidade podem ser literalmente uma questão de vida ou morte.

Casos como o Bombay, o Rh nulo e o sistema VEL revelam como a diversidade genética da população brasileira ainda guarda enigmas e por que os bancos de sangue precisam estar cada vez mais preparados.

O sangue raríssimo encontrado em Santa Catarina

Em Santa Catarina, um caso clínico recente chamou atenção do Hemosc: um paciente que carregava o antígeno do sistema VEL, um dos mais raros do mundo.

Apenas três doadores compatíveis foram localizados em todo o país. “Esse paciente, por exemplo, não sobreviveu a uma cirurgia cardíaca, pois não foi possível reunir sangue compatível a tempo”, explicou o diretor técnico da instituição, Guilherme Genovez.

Um estudo identificou mais seis pessoas com sangue VEL no estado, elevando para apenas 11 os doadores conhecidos no Brasil. A maioria pertence a uma mesma família, com possível origem libanesa, em Jaraguá do Sul e Curitiba.

Quando o exame engana: o tipo Bombay

Segundo o diretor, outro sangue raríssimo é o Bombay, descoberto na Índia. Ele se parece com o O negativo, mas na prática não aceita transfusões desse tipo. Isso porque quem possui esse sangue não apresenta sequer a proteína H, essencial para formar outros antígenos.

“Quando testado nos exames de rotina, o resultado pode ser um falso O negativo, mas em uma transfusão, a rejeição é certa”, disse Genovez.

Estima-se que existam menos de mil pessoas com sangue Bombay em todo o mundo.

O “sangue dourado”: Rh nulo

Conforme Genovez, ainda mais raro é o chamado Rh nulo, apelidado de “sangue dourado”. Pessoas com esse tipo não possuem nenhum dos antígenos do sistema Rh.

Isso significa que só podem receber transfusões de outro Rh nulo, o que restringe drasticamente as chances de encontrar compatibilidade.

Há registros de pacientes no mundo que só conseguiram transfusão segura após localizar doadores em outros continentes. No Brasil, os casos são quase inexistentes.

Santa Catarina revela sangue raríssimo que só 11 pessoas têm no Brasil – Foto: Santa Catarina revela sangue raríssimo que só 11 pessoas têm no Brasil (7)Santa Catarina revela sangue raríssimo que só 11 pessoas têm no Brasil – Foto: Santa Catarina revela sangue raríssimo que só 11 pessoas têm no Brasil (7)

O coringa das emergências: O negativo

Mesmo dentro dos tipos mais conhecidos, há desafios. O sangue O negativo, presente em apenas 7% a 10% da população, é considerado o “coringa” das transfusões, destaca Genovez, já que pode ser usado em qualquer paciente em emergências.

Tipos de sangue mais doados

Confira a distribuição:

  • O+: representa aproximadamente 41% a 42% das doações;
  • A+: fica logo atrás, com cerca de 31% a 32%;
  • O-: contribui com aproximadamente 10%;
  • B+: aparece com 7% das doações.

Por outro lado, os tipos sanguíneos mais raros, como AB- e B-, correspondem a menos de 1,5% do total de doações.

Crescimento de Doadores em Santa Catarina

Dados exclusivos do Hemosc, obtidos pelo ND Mais via LAI (Lei de Acesso à Informação), revelam um crescimento significativo nas doações de sangue em Santa Catarina, apesar das dificuldades enfrentadas.

Confira os principais dados:

  1. Aumento no número de doadores:
  • Entre 2020 e 2024, o número de cadastros de doadores saltou de 110,7 mil para 134,9 mil, representando um aumento de mais de 20%.

Somente até julho de 2025, já foram registrados 82,8 mil doadores, um número que tem potencial de superar o total de doações registradas em 2024, caso o ritmo de cadastros continue.

Doar salva-vidas

Especialistas reforçam: conhecer o próprio tipo sanguíneo é fundamental e manter as doações regulares é o que garante estoques seguros, especialmente dos grupos estratégicos como O negativo e A negativo.

Para quem possui sangue raro, a doação pode ser ainda mais vital, um gesto capaz de fazer a diferença entre a vida e a morte.

Santa Catarina revela sangue raríssimo que só 11 pessoas têm no Brasil – Foto: Divulgação/Hemosc/NDSanta Catarina revela sangue raríssimo que só 11 pessoas têm no Brasil – Foto: Divulgação/Hemosc/ND

Tabela de compatibilidades sanguíneas:

  • O⁻ com O⁻ = O⁻
  • O⁺ com O⁻ = O⁺ ou O⁻
  • O⁺ com O⁺ = O⁺ ou O⁻
  • A⁻ com A⁻  = A⁻ ou O⁻
  • A⁺ com A⁻ = A⁺, A⁻, O⁺ ou O⁻
  • A⁺ com A⁺ = A⁺, A⁻, O⁺ ou O⁻
  • A⁺ com O⁻ = A⁺, A⁻, O⁺ ou O⁻
  • A⁺ com O⁺ = A⁺ ou O⁺
  • B⁻ com B⁻  = B⁻ ou O⁻
  • B⁺ com B⁻  = B⁺, B⁻, O⁺ ou O⁻
  • B⁺ com B⁺  = B⁺, B⁻, O⁺ ou O⁻
  • B⁺ com O⁻ = B⁺, B⁻, O⁺ ou O⁻
  • AB⁺ com O⁻ = A⁺, A⁻, B⁺ ou B⁻
  • AB⁻ com O⁻ = A⁻ ou B⁻
  • AB⁺ com AB⁺ = A⁺, B⁺, AB⁺, AB⁻
  • AB⁻ com AB⁻ = A⁻, B⁻ ou AB⁻
  • A⁺ com B⁺ = A⁺, A⁻, B⁺, B⁻, AB⁺, AB⁻, O⁺, O⁻
  • A⁻ com B⁻  = A⁻, B⁻, AB⁻ ou O⁻
  • A⁺ com B⁻  = A⁺, A⁻, B⁺, B⁻, AB⁺, AB⁻, O⁺, O⁻
  • A⁺ com AB⁺ = A⁺, B⁺, AB⁺
  • B⁺ com AB⁺ = A⁺, B⁺, AB⁺
  • AB⁺ com AB⁻ = A⁺, A⁻, B⁺, B⁻, AB⁺, AB⁻