Sicário de Daniel Vorcaro invadiu sistema da Justiça quatro meses antes do banqueiro ser preso

Política

A investigação da Polícia Federal sobre supostas fraudes envolvendo o Banco Master apontou que o banqueiro Daniel Vorcaro já teria conhecimento das apurações contra ele e seu conglomerado financeiro desde julho do ano passado. A descoberta indica que ele soube das investigações cerca de quatro meses antes de ser preso pela primeira vez, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero.

Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo e confirmadas pela Gazeta do Povo com fontes ligadas ao caso, o aliado de Vorcaro, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, teria invadido sistemas da Justiça Federal ainda em primeira instância e repassado dados sigilosos ao banqueiro. Entre os materiais encontrados no celular de Vorcaro estavam prints, fotos e documentos em PDF relacionados às investigações.

Há suspeitas de que os acessos ilegais possam ter começado antes de julho, mas teriam se intensificado à medida que a apuração avançava. De acordo com os investigadores, Sicário teria utilizado credenciais oficiais de integrantes da Procuradoria-Geral da República (PGR) para entrar nos sistemas e burlar mecanismos de segurança.

As apurações também indicam que Vorcaro teve acesso antecipado a informações sobre investigações conduzidas pelo Banco Central do Brasil contra o Banco Master. Essas apurações acabaram levando à liquidação do conglomerado financeiro no mesmo dia em que o banqueiro foi preso pela primeira vez.

Para os investigadores, os elementos reunidos reforçam a suspeita da existência de um esquema estruturado para obter informações sigilosas de órgãos públicos. Em decisão recente, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, classificou o grupo envolvido como uma espécie de “milícia privada”, apelidada de “A Turma”, que também teria monitorado desafetos de Vorcaro.

A suspeita sobre essa estrutura clandestina foi um dos fatores que levaram Mendonça a determinar prisões preventivas na semana passada. Além de Vorcaro, também foram alvo das medidas Sicário, que morreu após cometer suicídio na prisão e um policial federal aposentado.

Vorcaro havia sido preso pela primeira vez em novembro do ano passado, no Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos, quando tentava embarcar para o exterior. A suspeita da polícia é de que ele pretendia deixar o país para evitar a operação, embora tenha alegado que viajaria para negociar a venda de parte do Banco Master a investidores árabes.

Na decisão que autorizou a terceira fase da operação, Mendonça afirmou que havia urgência na adoção das medidas solicitadas pela Polícia Federal, citando inclusive o risco de destruição de provas. O ministro destacou que os investigados demonstraram possuir meios para acessar documentos sensíveis e sistemas estatais, inclusive dados de organismos internacionais como a Interpol.

Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que não comentará conteúdos provenientes de vazamentos ilegais de material sigiloso. Os advogados ressaltaram que o tema já é objeto de investigação criminal determinada pelo ministro André Mendonça no STF e declararam que qualquer manifestação sobre informações obtidas dessa forma apenas contribuiria para ampliar a divulgação de conteúdos que estão sob apuração. (GP1)