Nésio Alves Corrêa, conhecido artisticamente como Gildinho, nasceu no interior do município de Soledade, no Rio Grande do Sul, em 18 de janeiro de 1942. Cantor, gaiteiro e compositor, foi um dos fundadores do grupo Os Monarcas, referência da música tradicionalista gaúcha. Era filho de Turíbio Alves Corrêa e Adelina Majeston Lamaison Alves Corrêa, irmão de Francisco Desidério Alves Corrêa, o Chiquito, integrante do grupo Chiquito & Bordoneio, e tio do cantor João Luiz Corrêa. Gildinho foi casado com Santa Borges, com quem teve as filhas Gisele e Sandra.
O apelido “Gildinho” surgiu ainda na juventude, em razão da frequente interpretação de músicas do cantor Gildo de Freitas (1919–1982). A alcunha acabou sendo incorporada como nome artístico. Em 1961, aos 19 anos, mudou-se para Erechim, onde passou a dedicar-se profissionalmente à carreira musical.
Em 1967, Gildinho formou uma dupla com o irmão mais novo, Chiquito, inspirada nos Irmãos Bertussi. Cinco anos depois, em 1972, ambos fundaram o conjunto Os Monarcas. Ao longo de mais de cinco décadas de trajetória, o grupo lançou cerca de 50 discos, recebeu dez discos de ouro e gravou quatro DVDs.
Entre os principais sucessos estão canções como Sonhando na Vaneira, Beliscando o Coração, De Bota Nova, O Vento, Cheiro de Galpão, Santuário de Xucros e Um Taura à Moda Antiga. Ao longo da carreira, Gildinho foi patrono da Semana Farroupilha, recebeu o Troféu Guri, concedido pelo Grupo RBS, e a Medalha do Mérito Farroupilha da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.
Em 1990, Chiquito afastou-se do grupo em razão de problemas de saúde e, em 1995, fundou o grupo Chiquito & Bordoneio. Apesar da separação artística, os irmãos mantiveram parcerias em composições e outros projetos musicais. Em 2011, Os Monarcas tiveram sua trajetória retratada no filme Os Monarcas – A Lenda, com depoimentos dos fundadores. Já em 2022, em comemoração aos 50 anos do grupo, Gildinho e Chiquito gravaram o DVD Gildinho e Chiquito — Dois Irmãos e Uma História.
Gildinho faleceu no dia 11 de janeiro de 2025, às 17h15, uma semana antes de completar 83 anos. O artista enfrentava um câncer havia cerca de 20 anos, após a descoberta de um tumor na tireoide. Mesmo entre períodos de tratamento e recidivas da doença, manteve-se ativo nos palcos. Em novembro de 2024, foi internado no Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre, com sangramentos e dores ósseas, quando também foi diagnosticado com um tumor na próstata. O velório ocorreu no CTG Sentinela da Querência, em Erechim, e o sepultamento no Cemitério Municipal Pio XII, na mesma cidade, onde residia desde o início da carreira artística.
A última apresentação pública de Gildinho ocorreu cerca de duas semanas antes de sua morte, em 30 de dezembro de 2024, durante uma live de Ano Novo do canal Baita Loko, apresentada pelo baterista e integrante dos Monarcas, Vanclei da Rocha. Na ocasião, acompanhado pela formação atual e por ex-integrantes do grupo, o artista interpretou alguns de seus maiores sucessos, encerrando sua trajetória nos palcos ao lado da música que marcou sua vida.



