Um documento obtido pela coluna revela que o Ministério Público de São Paulo (MPSP) classificou a influenciadora e advogada Deolane Bezerra como a principal integrante do braço financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), descrevendo-a como o “verdadeiro caixa da organização criminosa”. O pedido foi encaminhado à Justiça nesta quinta-feira (20), solicitando a manutenção da prisão preventiva dos réus investigados na Operação Vérnix.
Esquema de lavagem envolvia contas pessoais e empresas de Deolane
De acordo com o documento, Deolane atuava diretamente na ocultação e dissimulação de valores de origem ilícita. A operação era realizada por meio de contas vinculadas a ela e às suas empresas, com posterior conversão dos recursos em bens de elevado valor econômico.
A análise financeira conduzida pelos investigadores identificou dezenas de transferências fracionadas destinadas às contas da influenciadora. Entre 2018 e 2021, os depósitos considerados suspeitos somaram valores próximos a R$ 700 mil.
A Justiça já havia determinado, à época da prisão, o bloqueio de aproximadamente R$ 27 milhões em contas vinculadas a Deolane. Também houve a apreensão de 39 veículos de luxo, avaliados em mais de R$ 8 milhões.
Organização criminosa era dividida em três núcleos
Segundo o MPSP, a estrutura da organização criminosa estava organizada da seguinte forma:
Núcleo Decisório: formado por Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder da facção, e seu irmão, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior.
Núcleo Operacional: composto por Everton de Sousa, conhecido como “Player”, e Paloma Sanches Herbas Camanho — sobrinha do líder do PCC.
Núcleo Financeiro: integrado por Deolane Bezerra e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho — também sobrinho de Marcola.
Gaeco defende manutenção das prisões preventivas
No pedido apresentado nesta quinta-feira, o Gaeco sustentou que permanecem os requisitos para a prisão preventiva de todos os investigados, especialmente para garantir a ordem pública e a aplicação da lei penal. Além da manutenção da prisão de Deolane, o Ministério Público defendeu que continuem presos Marcola, defendido pelo advogado criminalista Bruno Ferullo, e seus familiares envolvidos no esquema.
Como foi a prisão na Operação Vérnix
Deolane Bezerra foi presa no dia 21 de maio, em Alphaville, na Grande São Paulo, durante a Operação Vérnix, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC.
A ação policial também teve como alvos Marcola, apontado como líder máximo da facção, seu irmão Alejandro Camacho e dois sobrinhos: Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho.
Transportadora no interior paulista seria usada na lavagem
As investigações revelam um esquema sofisticado de ocultação de patrimônio, que utilizaria empresas e terceiros para movimentar recursos atribuídos à facção criminosa. De acordo com os investigadores, uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, teria sido empregada para lavar dinheiro da família de Marcola.





